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Jovens: Modernos e Consumistas


Cláudio Boriola

Tudo começou em 1956. O primeiro cartão de crédito do Brasil levava a bandeira Diners e era aceito somente em alguns restaurantes. Hoje, nosso país já é o terceiro colocado em número de emissão de cartões de crédito, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

 

Desse modo, temos o cartão de crédito como uma das formas mais utilizadas na hora de pagar as compras. Para se ter uma idéia, até em feiras livres (sim, aquela onde você come pastel e toma caldo de cana!) já é possível efetuar pagamentos com cartões. Com o apoio da prefeitura, feirantes de Guarulhos, município da grande São Paulo, fizeram um acordo com as operadoras Visa e Mastercard e utilizam máquinas com a tecnologia wireless, semelhantes a telefones celulares. A novidade foi apoiada por 63% dos consumidores e deve, em breve, ser "exportada" para outras cidades do país. Para os feirantes, a máquina garante maior segurança, pois diminui a quantidade de dinheiro com a qual eles andam, e para os usuários também cria uma certa comodidade.

 

Como qualquer outra forma de pagamento, o cartão também oferece perigo para o consumidor que não planeja corretamente seus gastos. Se para os adultos já existe esse perigo, imagine para os jovens e adolescentes!

 

As operadoras, ao descobrirem, há alguns anos, que os filhos podem receber a mesada também pelo cartão, criaram diversos produtos para atender a esse público, especialmente entre 12 e 17 anos de idade. Até a cantora canadense Avril Lavigne, febre entre os adolescentes, já anunciou ter firmado uma parceria com a Mastercard para o lançamento de um cartão com o seu nome. Existem os cartões de crédito pré-pagos, que são uma mistura de cartão de crédito e de débito. Os pais depositam até mil reais na conta vinculada ao cartão, e o saldo vai diminuindo conforme os gastos. Há também os cartões de crédito convencionais, com limites baixos e que geram uma fatura a ser paga posteriormente.

 

Até que o Projeto Educação Financeira nas Escolas não seja implantado nas escolas brasileiras, um diálogo entre os pais e os filhos que se utilizam desse recurso contribuirá muito na conscientização quanto ao uso do crédito. A experiência acaba servindo como aprendizado, e os adolescentes saberão, logo cedo, como controlar seus gastos. Se não, a mesma coisa que acontece com os adultos pode se repetir: estouro de limite e rápido aumento da dívida por causa dos juros excessivos cobrados pelas operadoras. Os pais devem ter a exata noção de quanto podem gastar com os filhos (sem contar o essencial, é lógico), pois tirar um cartão que foi concedido será uma tarefa difícil. E também não é prudente comprometer as contas de casa somente para deixar o jovem feliz e com um cartãozinho no bolso para gastar quando e quanto quiser.

 

Já foi constatado que boa parte dos gastos feitos pelos jovens que têm cartão de crédito se dá com alimentação. Dá até para se imaginar a cena: jovens reúnem-se em shoppings e, na praça de alimentação, usam os seus cartões para o consumo de lanches. Com certeza, não é a maneira mais correta de se utilizar esse tipo de cartão, já que ele é mais indicado para compras maiores e planejadas. Mas eles ainda são jovens e têm muito o que aprender.

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