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O novo ouro da pecuária está no controle de custos


Vinícius André de Oliveira

A pecuária do Texas é frequentemente associada a imagem clássica do cowboy e das grandes planícies. Mas, na prática, o que sustenta a liderança produtiva do estado não é cultura — é matemática econômica aplicada ao campo. O Texas e, de forma mais ampla, a pecuária americana, operam sob uma lógica clara: custo é variável estratégica, não resultado do acaso.

 

Nos Estados Unidos, a carne bovina é uma das principais engrenagens do agro, representando parcela relevante das receitas agrícolas totais e sustentando cadeias logísticas, financeiras e industriais altamente integradas.  

 

Dentro desse sistema, a estrutura de custos segue um padrão relativamente estável — e extremamente revelador. A alimentação domina a equação. Estudos do USDA mostram que despesas com ração e nutrição podem representar a maior parcela dos custos operacionais da pecuária de corte, chegando a cerca de 75% em alguns cenários produtivos.  

 

Em números mais recentes, estimativas apontam custos operacionais próximos de US$ 950 por vaca em determinados sistemas, com cerca de US$ 610 ligados diretamente à alimentação animal — reforçando que o centro da competitividade está na eficiência nutricional e logística.  

 

Ao mesmo tempo, o custo total médio nacional gira em torno de US$ 600 a US$ 700 por cabeça em operações típicas, variando conforme região, tecnologia e escala.  

 

“Na pecuária global, margem não nasce no frigorífico — nasce no custo do cocho.”

 

O Texas transformou essa lógica em cultura produtiva. Não se trata apenas de produzir mais carne. Trata-se de desenhar sistemas produtivos onde cada variável — clima, genética, nutrição, financiamento, mercado futuro — conversa com o custo final por quilo.

 

Outro aprendizado importante é a relação direta entre escala e eficiência. Dados mostram que sistemas maiores conseguem diluir custos econômicos totais de forma significativa, reduzindo o custo por matriz quando comparados a operações menores.  

 

Esse movimento explica a consolidação observada na pecuária americana: unidades maiores tendem a apresentar custos médios menores e maior capacidade de absorver volatilidade de mercado.  

 

Para o resto do mundo — e especialmente para grandes produtores agroexportadores — a lição texana pode ser resumida em três mensagens diretas.

 

Primeiro: custo é arquitetura. Sistemas eficientes são desenhados para atingir metas de custo, não apenas metas produtivas.

 

Segundo: nutrição é estratégia financeira. Pequenas variações no custo alimentar mudam completamente a margem do negócio.

 

Terceiro: pecuária moderna é gestão integrada. O produtor competitivo já pensa como gestor de portfólio — diversifica risco climático, protege preço, financia ciclo produtivo e controla indicadores operacionais em tempo real.

 

Existe ainda uma dimensão macroeconômica. A pecuária americana mostra que é possível manter rentabilidade mesmo com ciclos de redução de rebanho, desde que o sistema seja eficiente e conectado a mercados de alto valor agregado.  

 

No fundo, a pecuária do Texas ensina algo que vai além do agro: competitividade não é produzir mais — é produzir melhor, de forma previsível e economicamente disciplinada.

 

E talvez a principal provocação para o agro global seja simples:

quem ainda discute produtividade por hectare, enquanto os líderes já discutem custo por quilo entregue no mercado?

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