O momento pede a necessidade urgente de adoção de incentivos: a promoção de políticas públicas específicas para este segmento se torna indispensável
Há algum tempo, uma jornalista me enviou algumas questões para que eu pudesse opinar sobre o setor sucroalcooleiro. Tais perguntas suscitaram discussões bastante pertinentes e interessantes, que me fizeram parar e pensar em por que não disponibilizar este material aos nossos leitores. Tenho certeza de que, com mais esta proposta, possamos contribuir de alguma forma, trazendo uma mensagem de otimismo aos interessados.
Nosso ponto de partida vai ao encontro da missão e dos valores que norteiam o setor. A ideia é mostrar o desempenho de tempos passados e tentar descobrir — ou “redescobrir”— os planos para um futuro próximo. Neste ambiente tão promissor, que é o da agroindústria, nosso foco se concentra na questão macro e não em situações peculiares de cada empresa — cabe aqui ressaltar que é a experiência que contará a favor do colaborador que se dispor a agregar valor à empresa, trata-se de “chamar a responsabilidade para si”. Não somente para uma avaliação do setor, mas também, principalmente, para a sua função em relação à estrutura mercadológica. Tudo isso somado, teremos, então, quais os planos a serem postos em prática hoje e agora e os próximos passos a serem seguidos.
ATITUDES DE LIDERANÇA - Retomando a entrevista, a primeira indagação proposta foi no sentido de saber quais seriam as atitudes que os líderes envolvidos no sistema sucroenergético deveriam tomar para fazer com que o setor se estabelecesse de uma vez por todas como uma peça definitiva e madura inserida na matriz energética brasileira.
A mim me parece que inúmeras atitudes podem ser tomadas cada uma ao seu tempo. Historicamente, pela sua pujança e realidade nacional, o setor sucroenergético sempre se estabeleceu. A necessidade atual seria, então, tentar fortalecer ambos os polos, buscar uma união mais sólida e objetiva para que haja uma maior força-tarefa tanto do setor público, no caso a Petrobras, quanto do privado. É nesse contexto que acredito que, havendo uma sinergia de planejamentos estratégicos de negócios de ambos os lados, teremos novamente a força e a manutenção do sucesso que ambos os setores sempre apresentaram.
EM NÚMEROS - Vejamos um exemplo de envolvimento positivo entre a matriz energética e o setor sucroalcooleiro: a produção mundial do etanol é da ordem de 40 bilhões de litros, sendo só o nosso País o responsável por, aproximadamente, 15 bilhões de litros, por meio do cultivo da cana-de-açúcar, que para cada tonelada são produzidos de 65 a 67 litros de álcool e de 700 a 800, aproximadamente, litros de restilo ou vinhaça.
O etanol teve e tem como premissa maior maximizar o seu uso em contrapartida ao petróleo, pois se trata de uma alternativa eficiente, limpa e, de certa forma, mais atrativa sob vários aspectos. Infelizmente, nos últimos anos, presenciamos uma situação contrária. Houve um cerceamento para que mais se investisse no setor. Talvez tenham faltado planejamento e mecanismos estruturais mais adequados. Mas não vamos aqui adentrar nesta seara de quem seria o responsável, pois este não é o nosso propósito.
COMPETIÇÃO - Atualmente, o etanol já começa a ser mais competitivo, embora o governo tenha destinado mais subsídio às petrolíferas em comparação ao que não fez com o álcool. Já dissemos em outras ocasiões que o custo tributário nesse segmento está em torno de 31%.
Meados do ano passado, o governo chegou a sinalizar sobre uma possível desoneração dos produtos para o setor sucroalcooleiro, no sentido de reduzir a carga tributária, especialmente com relação às contribuições do PIS e da COFINS. De maneira geral, foi uma sinalização positiva no sentido de trazer ao setor uma melhor competitividade para a cadeia produtiva. Não obstante, essa minimização da carga ainda não reflete nos parques industriais.