Hoje, quando falamos em bovinocultura de leite, logo pensamos na Mastite. Não só pelas limitações que essa doença oferece mas também pelas enormes perdas que ela representa em todo um processo produtivo.
A mastite é caracterizada por uma inflamação na glândula mamária que traz prejuízos relacionados ao alto custo com o tratamento além do decréscimo na produção e na qualidade do leite. Dentre as principais alterações na qualidade, estão o aumento na CCS – Contagem de Células Somáticas e diminuição do teor de sólidos totais, modificações físico-químicas que ocorrem e que alteram o valor e a qualidade nutricional do produto.
Além de todas as dificuldades encontradas no campo para controlar a doença de forma efetiva, o produtor precisa ainda assumir o prejuízo da má qualidade do leite e do descarte ocasionado pela presença de resíduos durante o período de carência.
É uma doença causada por bactérias e entre as mais frequentemente isoladas podemos citar: Staphylococcus aureus, Streptococcus agalctiae, Streptococcus dysagalactiae, Streptococcus uberis e Escherichia coli.
Por ter origem bacteriana, é de fácil disseminação e difícil controle, sendo hoje a doença que representa as maiores perdas econômicas para a bovinocultura de leite.Uma vaca com mastite pode ter sua produção reduzida entre 15 e 20 %, o que segundo Santos (2003) significa um total de 2,8 bilhões de litros de leite a menos por ano.
É divida em duas formas na sua apresentação: clínica e subclínica e pode ser de origem ambiental e/ou contagiosa. Porém, independente da forma de apresentação, é uma doença que requer muita cautela e principalmente, manejo profilático adequado em todas as fases do processo produtivo.
A forma clínica é geralmente identificada através de edema e inchaço no úbere, aumento de temperatura, além de alterações físicas no leite, tais como presença de grumos, pus e/ou sangue, dependendo do quadro clínico da doença.
Já sua forma subclínica só é detectada por meio de testes, não sendo visível a olho nu, o que dificulta seu tratamento e controle e aumenta ainda mais o prejuízo para o produtor de leite. Esta forma da doença é a mais comum e responde por cerca de 70% das perdas, por reduzir em até 45% a secreção de leite. Além disso, é responsável pelas principais mudanças na composição do leite, com diminuição das concentrações de proteína, gordura, lactose, minerais, enzimas e aumento na CCS – Contagem de Células Somáticas, afetando diretamente a sua qualidade.
Estas alterações, que ocorrem devido ao aumento na permeabilidade vascular do alvéolo secretor e permitem a passagem de substâncias (sódio, cloro, imunoglobulinas, proteínas séricas, etc) do sangue para o leite, diminuem a qualidade e o rendimento do leite e por vezes causam sua condenação na plataforma do laticínio.

