De acordo com as diversas informações veiculadas na mídia e principalmente nos canais de informação do Governo Federal, a safra 2007 promete lucratividade e solução dos problemas do agronegócio.
Essa é uma análise simplista e irreal do atual momento econômico, embasado, única e exclusivamente, no bom preço do commodities agrícola e na produtividade das lavouras.
Contudo, a situação do produtor agrícola acumula prejuízos por quatro anos seguidos, dependendo da região até mais.
Propagar informação de que a situação do agricultor se encontra tranqüila e sólida é nada mais que uma análise errônea da conjuntura econômica e social que envolve o cenário do agronegócio.
O produtor agrícola se encontra seriamente endividado, principalmente em face do Governo Federal e das garantias exigidas para custeio da safra 2006/2007.
Os reparcelamentos, prorrogações, execuções judiciais, cobranças e outras demandas contra a população agrícola são um cenário que está longe de ser resolvido em apenas uma única safra.
Muitas empresas privadas deixaram de fomentar a atividade agrícola em virtude do alto grau de endividamento do produtor rural.
Porém, esse reflexo ataca diretamente todo o setor comercial e industrial da sociedade, seja a nível local ou nacional, uma vez que influi diretamente no crescimento econômico e na auto sustentabilidade do agricultor.
Todo o abalo sofrido nesses consecutivos períodos de perdas serviu para a abertura de uma nova visão de mercado: o planejamento da atividade agrícola.
Significa dizer que o produtor está mais atento para as oscilações mercadológicas e para as necessidades e possibilidades de sua atividade, analisando sua situação atual e futura de acordo com sua capacidade produtiva.
Contudo, a falsa idéia de que está tudo resolvido e os prejuízos sanados constitui-se em mecanismo de ilusão para fomentar a ingerência e a desídia com que o Governo Federal atua no setor agrícola.
A estabilidade da atividade agrícola depende de uma efetiva produtividade e rentabilidade da lavoura nos próximos 05 anos (pelo menos), período necessário para liquidação dos débitos e dívidas, bem como para início dos reinvestimentos no setor, que no momento e certamente por alguns longos anos, permanecerá engessado.

