A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de acordo com o primeiro levantamento da safra 2005/06 divulgado na primeira semana de novembro, estima que a área plantada de milho deva apresentar crescimento entre 3,8% e 6% na primeira safra, sendo compatível com o valor de 5,9%, conforme primeira estimativa para a safra de 2006 do IBGE. O Departamento de Economia Rural (Deral) acredita que o estado do Paraná será responsável pela expansão da área plantada do País ao estimar crescimento de 11% para a safra de verão, compensando a retração nos estados do Centro-Oeste, segundo as principais consultorias. O milho tem-se apresentado como alternativa de cultivo pouco superior ao da soja, dado que o produtor tem buscado preços de venda mais atrativos e custos de plantio mais baixos que os da soja, além de ser a rotação de culturas necessária para a boa manutenção do solo.
Quanto às estimativas de produção, o IBGE prevê produção de 33,9 milhões, enquanto a Conab estima entre 31,7 milhões (limite inferior) e 32,6 milhões (limite superior) de toneladas para a safra de verão. Esses números, comparados com a safra do ano anterior (31 milhões), representam acréscimo na produção de 9,5%. Já o plantio segue um pouco atrasado, devido ao excesso de chuvas e à baixa disponibilidade de crédito para aquisição de insumos. O estado do Mato Grosso passou a liderar o plantio com 90% da área estimada, enquanto o Rio Grande do Sul alcança 81%.
O relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em novembro elevou as estimativas da produção americana para 280,2 milhões de toneladas e as de produtividade para 1,6%. Os preços do milho no mercado físico fecharam a R$15,20/saca, em 10 de novembro, em Paranaguá e a R$18,40/saca em Campinas, com sensível queda em relação ao mesmo período de outubro. Essa queda tem sido influenciada principalmente pelas restrições sanitárias impostas à importação de carne brasileira e pela pressão de oferta de substitutos do milho na produção de ração, como o trigo de baixa qualidade.
O Gráfico 1
Ver mais informações, gráficos e análises de mercado no arquivo que se encontra em anexo no link no rodapé da página. mostra que as cotações dos contratos futuros de milho na BM&F encerraram-se, em 10 de novembro, a R$15,80/saca para o vencimento novembro/05; R$16,00/saca para janeiro/06; R$16,00/saca para março/06; R$16,10/ saca para maio/06; R$16,95/saca para julho/06; e R$17,20/saca para setembro/06, apresentando declínio semelhante ao observado no mercado físico. O preço de exportação do milho (vide Gráfico 2)
Ver mais informações, gráficos e análises de mercado no arquivo que se encontra em anexo no link no rodapé da página. não tem contribuído para a contenção da persistente queda do preço doméstico, já que também sofreu reduções sucessivas na segunda quinzena de outubro. Por outro lado, o preço de importação permanece bem acima dos preços domésticos, demonstrando que dificilmente haverá oportunidades de negócio com outros países. Esse fato é decorrente de estoques de milho não contabilizados nas diversas divulgações das estatísticas do setor.
A volatilidade diária do contrato futuro com vencimento em janeiro/06, apresentada no Gráfico 3
Ver mais informações, gráficos e análises de mercado no arquivo que se encontra em anexo no link no rodapé da página. , oscilou entre 0,64% ao dia (18 de outubro) e 3,92% ao dia (28 de outubro). A alta volatilidade dos preços é explicada pelas notícias de produção da safrinha maior que a prevista e as notícias de embargo de importação de carne bovina, além do problema da gripe aviária que avança pelo continente europeu.
O mercado de milho, em outubro de 2005, mostrou pela terceira vez consecutiva volume recorde de contratos negociados na BM&F. Foram negociados 14.981 contratos futuros de milho, correspondentes a mais de 404 mil toneladas, representando acréscimo de 13% no volume de contratos negociados em relação ao mês de setembro. O volume acumulado de janeiro a outubro de 2005 foi de 84.125 contratos futuros, ultrapassando em quase 60% o volume total de 2004, quando foram negociados 52.600 contratos.
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