As cotações do trigo em Chicago, após cederem durante a semana, acabaram reagindo e, no dia 26/08 (quinta-feira), o primeiro mês cotado fechou a sessão em US$ 7,25/bushel, contra US$ 7,27 uma semana antes. O trigo de primavera nos EUA, até o dia 22/08, apontava uma colheita de 77%, contra 55% na média histórica. O quadro do trigo, apesar da redução na produção estadunidense indicada no relatório de oferta e demanda do USDA, em agosto, está relativamente estável. Mesmo assim, existem motivos para que as cotações se mantenham pressionadas para cima. Dentre eles estão os estoques, que na prática estariam mais baixos do que as estatísticas indicam. Neste sentido, os estoques brasileiros dariam hoje para 27 dias de consumo, enquanto no Egito para apenas um dia. Outro motivo está no maior uso do trigo para ração animal neste ano, diante da disparada dos preços do milho. Além disso, está se usando mais trigo igualmente para a produção de biocombustível.
Na China, por exemplo, das 140 milhões de toneladas em estoque, cerca de 40 milhões serão consumidas sob forma de ração animal. Enfim, Rússia e Ucrânia, fortes exportadores, estão restringindo suas vendas externas visando garantir o abastecimento local e, com isso, reduzir a inflação interna, que está elevada. Dito isso, na Argentina a semeadura de trigo e cevada atingiu o recorde histórico de 8,25 milhões de hectares, enquanto o milho chegou a 9,7 milhões no último plantio e o girassol deverá registrar um aumento de área de 11,8%, atingindo no próximo verão a 1,9 milhão de hectares. Já no Brasil os preços se mantêm firmes e bastante variáveis. Enquanto no Rio Grande do Sul a média de balcão fechou a semana com R$ 82,22/saco, no Paraná a mesma girou entre R$ 87,00 e R$ 95,00/saco. Os preços mais altos no Paraná se devem também às perdas ocorridas nesta safra. A tendência é de que possa faltar trigo para suprir a demanda local, fato que manterá os preços do produto pressionados, mesmo com a colheita iniciando agora em setembro.
A forte seca que se abateu até esta última quarta-feira (25) sobre o sul do país trouxe novas perdas ao trigo brasileiro, após os efeitos das geadas no Paraná e parte de Santa Catarina. Mesmo assim, no Paraná, até meados de agosto, 61% das lavouras ainda apresentavam boas condições, 27% estavam regulares e 12% ruins. No Rio Grande do Sul, o quadro é de expectativa para se verificar em quanto o retorno das chuvas poderá recuperar os trigais. Cerca de 6% das lavouras gaúchas estavam em floração no início desta semana.
Daqui em diante, novas geadas no sul do país, assim como chuvaradas no momento da colheita, tendem a trazer prejuízos severos ao trigo. Por enquanto, a iniciativa privada ainda espera uma colheita final brasileira entre 7,5 a 7,9 milhões de toneladas, o que seria um recorde histórico. (cf. Safras & Mercado) A
questão é contabilizar o quanto o clima, mais uma vez, já prejudicou as lavouras e ainda o quanto poderá prejudicá-las até a conclusão da colheita.