As cotações do milho em Chicago não oscilaram muito em relação a semana anterior, fechando esta quinta-feira (26) em US$ 5,52/bushel, contra US$ 5,50 na semana anterior. As condições das lavouras de milho nos EUA igualmente pioraram. No dia 22/08 as mesmas atingiam a 60% entre boas a excelentes, contra 64% no ano anterior na mesma época. Outras 26% estavam regulares e 14% em condições ruins ou péssimas. Já no mercado brasileiro, os preços se estabilizaram em níveis elevados, com algum viés de baixa nas localidades onde a pressão da colheita da safrinha se faz presente.
Os compradores tendem a forçar uma baixa de preços, aproveitando-se da colheita, porém, a forte quebra da safrinha impede grandes recuos. A média gaúcha fechou a semana em R$ 90,36/saco, enquanto nas demais praças nacionais os preços oscilaram entre R$ 87,00 e R$ 95,00/saco, sendo que o CIF Campinas (SP) recuou para R$ 99,00/saco. Em paralelo, o plantio da nova safra de verão no Centro-Sul brasileiro, para o ano 2021/22, iniciou, havendo 4,1% semeado até o dia 19/08, ficando um pouco abaixo do ritmo verificado no ano passado nesta época. Por sua vez, a colheita da safrinha chegava a 79% da área no início da presente semana, contra 82% no ano anterior.Em relação ao Paraná, onde se esperava colher 14,6 milhões de toneladas de milho na safrinha, o clima causou estragos importantes, levando a safra final para apenas 6 milhões de toneladas, a qual será a menor da última década. A principal consequência dessas perdas é que, em vez de vender o cereal excedente para catarinenses e gaúchos ou mesmo para a exportação, o Paraná vai ter que disputar com seus vizinhos espaço na corrida pela compra de milho da Argentina, Paraguai e de outros Estados (Mato Grosso e Goiás, principalmente), fato que eleva os preços do grão para níveis próximos a R$ 100,00/saco. O aperto na oferta, que é uma realidade brasileira, será importante entre o final de 2021 e o início de 2022.
A situação é tão complexa que há produtores, no Centro-Sul brasileiro, fazendo cálculos a fim de verificar se vale mais a pena produzir soja ou milho neste próximo verão. Muitos, inclusive, estão optando por aumentar a área de milho. Segundo a Ocepar, do Paraná, hoje o preço do milho tem uma relação favorável em relação à soja. Nesse cenário, do ponto vista financeiro, em condições ideais de clima, o cereal é mais rentável do que a oleaginosa. Neste contexto, o Brasil deverá exportar bem menos milho no corrente ano, com o volume ficando, muito provavelmente, abaixo de 20 milhões de toneladas, contra mais de 40 milhões no ano anterior. Em paralelo, as importações irão crescer para níveis recordes.
Ainda no Paraná, a colheita atingia a 64% da área no início da presente semana, sendo que a qualidade das lavouras atingia apenas 5% em boas condições. O plantio do milho de verão atingia a 1% da área esperada. (cf. Deral) Já no Mato Grosso, a colheita da safrinha está concluída, sendo que os custos de produção subiram mais um pouco em relação a junho.(cf. Imea) Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, a safra de verão de milho deverá ter um aumento de 5% em sua área semeada, podendo atingir a 924.000 hectares, enquanto a área com soja cresceria 2%, para atingir a 6,2 milhões de hectares, segundo a Fecoagro. Nos demais Estados produtores da safrinha o quadro pouco se modificou em relação a semana anterior, sendo que no Mato Grosso do Sul a colheita atingia a 58% da área total, com apenas 1% das lavouras em boas condições.
Enfim, quanto as exportações, até o final da terceira semana de agosto o Brasil havia embarcado 2,9 milhões de toneladas no mês. Este volume representa um acréscimo de 48,5% sobre julho, porém, abaixo do registrado em agosto do ano passado. Assim, a média diária de embarques fica 33,9% abaixo do registrado em agosto de 2020. (cf. Secex) Segundo a Anec, o Brasil deverá fechar agosto com exportações de milho ao redor de 4 milhões de toneladas. Pelo lado das importações de milho, a Conab aponta um volume total de 2,3 milhões de toneladas para este ano, enquanto a iniciativa privada indica até 4 milhões.