As cotações da soja, para o primeiro mês, em Chicago, após recuarem abaixo dos US$ 13,00/bushel durante a semana, algo que não era visto desde o dia 20/04 do corrente ano, se recuperaram e acabaram fechando a quinta-feira (26) em US$ 13,67/bushel, contra US$ 13,23 uma semana antes. Vale alertar que o segundo mês cotado ficou em US$ 13,26/bushel.
O recuo ocorrido se deveu à forte queda nos preços do óleo de soja em Chicago, com a libra-peso perdendo 5,1% entre os dias 19 e 20 de agosto. Por outro lado, o clima continua sendo uma preocupação importante. Neste último caso, no relatório do dia 23/08 o USDA informou que as condições das lavouras estadunidenses de soja pioraram, com as boas a excelentes caindo para 56% do total, contra 69% um ano atrás. Outras 28% estavam regulares e 16% entre ruins a péssimas. Por sua vez, 88% das lavouras estavam com formação de vagens, contra 87% na média histórica. Por sua vez, a China efetivamente altera seu comportamento importador, dando preferência, agora, ao produto dos EUA, prestes a ser colhido. Em julho os chineses compraram 7,9 milhões de toneladas de soja do Brasil, com um recuo de 3,7% sobre o mesmo mês do ano anterior. No mês de julho as compras chinesas de soja, de todas as origens, somaram 8,67 milhões de toneladas, com uma queda de 14,1% sobre o ano anterior. O problema das margens de esmagamento muito ruins junto às trituratoras da China foi o elemento central desta realidade. Muito disso está no fato de que as margens na produção de suínos caíram para o terreno negativo, com a queda nos preços dos suínos, fato que freou o consumo de farelo de soja.
Em relação às compras de soja dos EUA, em julho houve aumento da demanda chinesa da ordem de 10,3%, porém, o volume total é bastante baixo, ficando em 42.277 toneladas naquele mês. Espera-se que as importações de soja pela China diminuam nos próximos meses do ano, à medida que as margens em queda dos suínos e um aumento no uso de trigo na ração continuem a restringir a demanda por farelo de soja. Por sua vez, o rebanho de porcas criadeiras da China, que vinha crescendo há 21 meses, caiu pela primeira vez em julho, em relação ao mês anterior, depois de um recuo nos preços dos suínos que levou muitos criadores a abater animais menos produtivos.
Em relação ao recuo nos preços do óleo de soja em Chicago, o motivo esteve ligado a boatos de que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA deverá recomendar ao governo federal uma redução do programa de combustíveis naquele país. O governo Biden estaria sofrendo forte pressão para reduzir os biocombustíveis. Caso ele ceda à esta pressão, o uso de grãos para fins industriais, em particular a soja, seria reduzido substancialmente. Nos últimos cinco anos o uso de óleo de soja na indústria estadunidense cresceu mais de 85%, chegando hoje a 5,22 milhões de toneladas. A redução dos mandatórios no uso de óleos vegetais desobrigaria as refinarias a misturar certa quantidade de biocombustíveis ao diesel oriundo do petróleo ou do xisto. Como não houve confirmação do governo quanto a esta redução, durante esta semana as cotações do óleo se recuperaram, voltando aos patamares acima de 60 centavos de dólar por libra-peso.
Em paralelo, no mercado brasileiro, os preços, puxados pelo câmbio, que oscilou entre R$ 5,20 e R$ 5,40 durante a semana, melhoraram um pouco mais. A média gaúcha fechou a corrente semana em R$ 160,87/saco, enquanto nas demais praças nacionais os preços oscilaram entre R$ 157,00 e R$ 164,00/saco. Muitos operadores estão segurando o produto que resta na expectativa de novos aumentos de preços, particularmente no último trimestre. Esta é uma estratégia que, para ter sucesso, dependerá do clima nos EUA e do câmbio no Brasil, o qual está ligado as tensões políticas crescentes provocadas especialmente pelo Presidente da República.
Dito isso, em termos de exportações, o Brasil havia exportado praticamente 5 milhões de toneladas no acumulado dos primeiros 15 dias úteis de agosto, fato que permite esperar vendas totais ao redor de 6 milhões de toneladas. Em 2020, o total embarcado foi de 5,84 milhões de toneladas. Ocorre que o valor da tonelada no corrente ano é 36,4% superior ao do ano passado, se estabelecendo em US$ 482,20/tonelada. O fato é que cada vez mais, neste restante do ano, haverá concorrência entre o mercado interno e o externo pela soja brasileira que resta nos estoques, já que a demanda interna é forte, inclusive junto aos derivados. Na prática o mercado continuará extremamente volátil, pelo menos até se definir a colheita estadunidense, no final de outubro. E no Brasil, os preços igualmente continuarão oscilando muito, especialmente em função do câmbio