Exportações semanais de milho por parte dos EUA ficaram dentro da normalidade

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Exportações semanais de milho por parte dos EUA ficaram dentro da normalidade

Relatório do USDA, no dia 08/03, não apontou novidades expressivas
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As cotações do milho, após ensaiarem novo recuo durante a semana, acabaram fechando a quinta-feira (14) um pouco melhores do que uma semana antes. O primeiro mês cotado fechou em US$ 3,61/bushel, contra US$ 3,56 uma semana antes.

O mercado foi influenciado por dados divulgados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), com sede em Paris, onde aparece que o ritmo de crescimento econômico mundial está se reduzindo. Ao mesmo tempo, há um interesse maior pelo dólar estadunidense no mercado internacional, fato que pressiona o preço das commodities, pois tira competitividade dos produtos dos EUA, mesmo que isso possa provocar uma freada nas intenções de aumento dos juros básicos naquele país.

Em paralelo, as exportações semanais de milho por parte dos EUA ficaram dentro da normalidade, atingindo a 969.700 toneladas na semana anterior e 765.600 toneladas na semana passada. Ou seja, os baixos preços do cereal em Chicago não estão estimulando as vendas externas estadunidenses.

Ao mesmo tempo, a safra de milho da Argentina se desenvolve normalmente, mesmo diante de excesso de chuvas nas últimas semanas. Lembramos que o vizinho país é um importante exportador do cereal, assim como o Brasil. A safra da Argentina começa a entrar no mercado a partir de abril.

O processo de baixa só não foi maior porque durante a semana houve um repique de preço junto ao trigo, fato que deu certa sustentação ao milho na Bolsa.

Enfim, o relatório do USDA, no dia 08/03, não apontou novidades expressivas. O mesmo, além de confirmar a safra dos EUA, já colhida no final de 2018, em 366,3 milhões de toneladas, aumentou os estoques finais naquele país para 46,6 milhões de toneladas. A produção mundial foi mantida em 1,1 bilhão de toneladas, enquanto os estoques mundiais do cereal recuaram um pouco, atingindo a 308,5 milhões de toneladas. A produção do Brasil, para este ano comercial 2018/19, foi mantida em 94,5 milhões de toneladas, enquanto a da Argentina permaneceu estimada em 46 milhões. O Brasil deverá exportar ao redor de 29 milhões de toneladas neste ano.

Por sua vez, a tonelada FOB de milho na Argentina fechou a semana em US$ 161,00, enquanto no Paraguai a mesma ficou em US$ 130,00.

Já no Brasil, os preços médios do cereal pouco se alteraram nesta segunda semana de março. O balcão gaúcho registrou R$ 32,55/saco, enquanto os lotes ficaram entre R$ 35,50 e R$ 37,50/saco. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 25,00/saco em Campo Novo do Parecis e Sorriso (MT) e R$ 42,00/saco em Itanhandu (MG), passando por R$ 38,50 em Videira e Campos Novos (SC).

Em São Paulo o mercado continuou pressionado pela falta de oferta. Houve negócios a R$ 44,00/saco com ICMS e o cereal local não é encontrado por menos de R$ 43,40 a R$ 44,50/saco no CIF Campinas. Uma retomada das compras é esperada para os próximos dias, fato que poderá puxar ainda mais os preços locais, já que há pouco milho para colher no curto prazo. Em Minas Gerais o forte da colheita de verão está ficando para abril. Neste contexto, o contrato Maio na BMF de São Paulo deixa a entender que os operadores esperam que até 15/05 haja milho disponível no interior paulista entre R$ 30,00 e R$ 32,00/saco no CIF Campinas. Ora, é bom lembrar que a safrinha somente entrará no mercado em junho, fato que poderá frustrar a expectativa dos operadores de alcançarem preços mais baixos em meados de maio. Na verdade, o mercado futuro esperava que março já apresentasse preços mais baixos, fato que não ocorreu. Neste momento, tenta apostar em preços menores para maio, cerca de R$ 3,00/saco abaixo do preço à vista. Ora, para viabilizar estes níveis (R$ 39,00/saco para o contrato de maio), o mercado paulista terá que recuar a R$ 30,00/R$ 32,00 ao produtor, R$ 34,00/R$ 35,00 nas cooperativas e cerealistas, e R$ 39,00/R$ 40,00 no CIF Campinas. Algo, por enquanto, considerado um tanto difícil (cf. Safras & Mercado)

Enquanto isso, no Mato Grosso a safrinha aponta valores entre R$ 19,00 e R$ 20,00/saco, porém, sem compradores. No Paraná, a mesma chega a preços de R$ 32,00 no oeste e norte do Estado, enquanto os compradores se posicionam entre R$ 28,00 e R$ 29,00/saco para produto bem localizado. No porto de Paranaguá o disponível está em R$ 42,00/saco enquanto a safrinha alcança entre R$ 38,00 e R$ 39,00. Já em Goiás há notícias de safrinha ao redor de R$ 26,60/saco para agosto/setembro, com tradings indicando valores abaixo de R$ 25,00 e ofertas acima de R$ 26,00/saco. (cf. Safras & Mercado)

Com a expectativa de a safrinha começar a surgir no mercado a partir de junho, no Mato Grosso espera-se que o produto inicial fique no próprio Estado, já que o mesmo está solicitando leilões de venda para atender sua própria demanda.

Dito isso, se ocorrer pressão de oferta no mercado físico, os preços poderão ceder mais cedo e o produtor, talvez, aceite vender abaixo de R$ 30,00/saco na safrinha em São Paulo. Mas está longe de ser uma situação clara nos diferentes Estados produtores. Isto conforta a posição de analistas de que a posição Setembro na BMF estaria exageradamente baixa, podendo encontrar dificuldades em manter tal posição até a colheita da safrinha. (cf. Safras & Mercado)

Em paralelo, contrariando a CONAB, que estima a safrinha brasileira de 2019 em 66,6 milhões de toneladas (23,6% acima do colhido no ano anterior), o analista privado Safras & Mercado estima 62,8 milhões de toneladas, sendo que já na primeira quinzena de março a comercialização da mesma chegava a 17% do total esperado. Mato Grosso, com 27%, e Goiás/DF, com 23% são as regiões que mais venderam antecipadamente a safrinha de milho até este momento.

É bom lembrar igualmente que até o dia 08/03 o plantio da safrinha no Centro-Sul brasileiro não estava concluído, atingindo a pouco mais de 91% da área esperada.

Enfim, no Rio Grande do Sul, a colheita da safra de verão de milho atingia a 51% da área em 07/03, contra 45% na média histórica para esta época do ano. 
 


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