Grande parte da cebola a ser comercializada no mercado nacional em maio é de origem argentina. O bulbo de Petrolina (PE), Juazeiro (BA) e Irecê (BA) também será vendido nesse período, mas em menor volume, visto que essas praças entram em pico de colheita apenas em junho. A expectativa de agentes, portanto, é que o preço da cebola continue elevado em maio.
Em março, o Brasil importou 15,2 mil toneladas de cebola da Argentina, 43% a menos que o total de março de 2007, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Com isso, os preços médios aos produtores do Sul no País mais que dobraram no período. A diminuição das compras externas ocorreu devido a movimentos de produtores rurais argentinos, em con flito com o governo de Cristina Kirchner, e à greve de auditores fiscais da Receita Federal iniciada em meados de março. As ofertas da região Sul do Brasil já estavam restritas no começo daquele mês e nenhuma outra praça estava em colheita. Apesar da menor oferta nacional no período, devido à baixa produtividade no Sul do País e à ausência de cebola do Vale do São Francisco, o volume disponível foi suficiente para atender a demanda interna.
A safra 2007/08 de cebola do Sul encerrou no final de abril com dois meses de antecedência em relação
à safra 2006/07, como já era previsto. A expectativa de rentabilidade positiva também foi confirmada. O preço médio do bulbo na roça ponderado pela área colhida foi de R$ 0,80/kg na média da safra (entre novembro de 2007 e abril de 2008). Esse valor é cerca de 150% maior que o mínimo necessário para cobrir os gastos com a cultura, estimado por produtores a R$ 0,32/kg. A finalização da safra com números positivos deve-se ao menor volume de cebola no mercado nacional.
Além das reduções de área e de produtividade no Sul, o Vale do São Francisco não ofertou o bulbo nos primeiros quatro meses do ano. A maior rentabilidade nessa safra deve garantir aumento de área da temporada 2008/09, de acordo com produtores. A área total de cebola cultivada para a colheita do segundo semestre deste ano deve ser apenas 2% superior à do mesmo período de 2007. Enquanto algumas regiões ampliaram consideravelmente o plantio, outras reduziram. Em Goiás e no Distrito Federal, o aumento previsto é de 30%. Em São Gotardo (MG) a área deve ser 10% maior. Nas lavouras de São José do Rio Pardo (SP) e do Vale do São Francisco, a expectativa é de manutenção de área. Já em Irecê (BA), produtores estimam queda de 30%. A colheita em Goiás, Distrito Federal e São Gotardo inicia em junho, e no Vale do São Francisco em maio, mas o volume deve aumentar em julho. Já na região paulista, as atividades devem começar no final de julho.
As chuvas ocorridas em São José do Rio Pardo (SP) em abril atrasaram o transplante das mudas de cebola. Essa atividade, que deveria ter ocorrido no início do último mês, só pôde ser efetuada a partir do
dia 22 de abril. Com o atraso, a colheita deve iniciar apenas no final de julho, com o pico das atividades previsto para ocorrer em agosto. A produtividade, por sua vez, não deve ser afetada, segundo produtores.
Veja os gráfico e o conteúdo completo em: http://www.cepea.esalq.usp.br/hfbrasil/edicoes/68/cebola.pdf