"Sadigão": Para governador, MT tem mais a ganhar do que perder com fusão

Agronegócio

"Sadigão": Para governador, MT tem mais a ganhar do que perder com fusão

Solidez das duas empresas e a capacidade de influenciar o mercado, são pontos positivos
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A fusão entre Sadia e Perdigão, criando a Brasil Foods (BRF), ainda gera expectativas em Mato Grosso. O governador Blairo Maggi disse que o mercado exigiu algumas fusões, antes mesmo da crise dos frigoríficos. “São duas empresas sólidas e com capacidade de influenciar o mercado, por isso eu acho que Mato Grosso tem mais ganhos do que perdas com a fusão da Sadia e Perdigão”. As companhias Sadia e Perdigão, que anunciaram há duas semanas a fusão para criar a Brasil Foods, registram o negócio na última terça-feira, último dia do prazo, no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão deverá julgar o impacto concorrencial do negócio. Além do Cade, também receberam cópia dos documentos relativos à operação, as Secretarias de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, e de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda.

Maggi ressaltou que a presença dessas empresas de grande porte no Estado mostra que investimentos pesados estão sendo feitos e que isso é o indicativo de que “estamos vivendo um bom momento no agronegócio, pois temos aqui milho, soja, farelo (soja) e o clima que favorece ainda mais. Itens importantes para instalação das indústrias”.

O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Mário Candia, compartilha da opinião do governador, de que “essa união vai fortalecer o mercado, pois teremos grupos fortes atuando no setor da carne estadual, como o Friboi (JBS), Betim, Marfrig, Frialta e Pantanal”. Para Candia, apesar da força da nova empresa Brasil Foods “temos outros frigoríficos de grande porte para equilibrar o mercado”.

O diretor da Acrimat, Jorge Pires, é mais cauteloso e diz que “seria muito ruim para o mercado se a Sadia quebrasse e fechasse suas portas, mas por outro lado, a união dessas duas grandes marcas (Sadia e Perdigão) pode trazer alguns problemas na hora de negociar”.

O superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, também comenta a fusão “com certo receio”, apesar do bom relacionamento dos pecuaristas com as duas empresas. "Isso mostra o nível de concentração das indústrias do setor de carne que está acontecendo no país e a nossa preocupação é com a monopolização de preços, já que a concorrência é cada dia menor. Mas, a Associação está atenta para que o produtor não seja prejudicado".

AGRICULTORES - No médio e longo prazos, contudo, o reflexo da fusão poderá ser devastador para o mercado, afetando tanto fornecedores quanto consumidores. Os produtores rurais vêem a operação com ressalvas e, apesar de considerá-la “benéfica” à economia como um todo, na opinião deles é preciso ter cautela. “Poderemos entrar em um processo de concentração que levará ao oligopólio”, alerta o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Ottoni Prado. Segundo ele, a concentração de empresas no mercado pode provocar manipulação de preços. “Temos de acompanhar e ficar atentos, apesar de considerarmos [a fusão] um mal necessário para o nosso Estado”.

Para o diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Marcelo Duarte Monteiro, o importante neste momento é que a Sadia e a Perdigão estão encontrando uma saída para se viabilizarem e se manterem no mercado. “Porém, por outro lado, também não seria interessante para ninguém ter um mercado muito concentrado. Só o tempo poderá nos dizer isso”.


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