2º Congresso Capixaba apresenta panorama do agronegócio

Agronegócio

2º Congresso Capixaba apresenta panorama do agronegócio

Erradicação da febre aftosa, técnicas de manejo e seleção de touros, degradação de pastagem, suplementação animal e um panorama econômico do agronegócio brasileiro foram apresentados no último dia 22, durante o 2º Congresso Capixaba de Pecuária Bovin
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Líder mundial na exportação de açúcar, carnes bovina e de frango, café e suco de laranja, o país mostra a cada dia seu potencial como maior produtor de alimentos do mundo

Erradicação da febre aftosa, técnicas de manejo e seleção de touros, degradação de pastagem, suplementação animal e um panorama econômico do agronegócio brasileiro foram apresentados no último dia 22, durante o 2º Congresso Capixaba de Pecuária Bovina, que aconteceu em Vitória (ES).

Manuel Cláudio Motta Macedo, engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Gado de Corte, palestrou sobre um dos maiores problemas da pecuária do Brasil: a degradação de pastagem. “Esse problema pode ser evitado com o uso de tecnologias que mantenham a produção no patamar desejado, observadas as potencialidades da região como clima, solo, planta, animal e sistema de manejo adotado”, explica. A degradação das pastagens é um processo evolutivo que está relacionado ao manejo inadequado, falta de adubação e super lotação de pastejo. O pesquisador aconselha que, antes do produtor optar por uma solução é preciso realizar um profundo diagnóstico das terras considerando os objetivos a serem alcançados e custos envolvidos no processo. Segundo Manuel, dentro de uma mesma propriedade é possível aplicar diferentes formas de recuperar e renovar pastagens. “Não existe um único método. Para cada caso exige uma solução com custos diferentes em cada situação”, finaliza.

Outro assunto abordado foi a suplementação de bovinos nas águas e em condições de pastagens. Sérgio Raposo de Medeiros, também pesquisador da Embrapa Gado de Corte orientou que o sucesso da suplementação depende do custo adicional do suplemento ser pago pelo ganho adicional (por animal e/ou por área) para compensar o investimento. “Cada R$ 1,00 investido se reverte em R$ 15,00 para o produtor”, explica Sérgio. Além disso, é preciso avaliar o sistema de produção como um todo; aproveitar ao máximo o potencial da pastagem e utilizar uma suplementação energética de boa qualidade para alcançar os resultados esperados.

A palestra sobre seleção e manejo de touros foi proferida pelo médico veterinário e professor da Universidade Federal de Viçosa/MG, José Domingos Guimarães que, em várias de suas observações, destacou o stress térmico como um dos fatores que influenciam na expressão do potencial genético dos animais sob pastejo. “Apesar do zebuíno ser adaptado ao clima tropical, ele sofre com as altas temperaturas, diminuindo a precocidade sexual e prejudicando a reprodução de animais adultos, diz. Ele ressaltou que o sombreamento proporciona condições confortáveis para os bovinos, diminuindo o stress térmico e contribuindo para aumentar a taxa de prenhez e precocidade sexual dos machos e fêmeas.

Em termos econômicos, a coordenadora geral de acordos bilaterais e regionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, Denise Mariano Costa, traçou um cenário do agronegócio brasileiro. Líder mundial na exportação de açúcar, carnes bovina e de frango, café em grão e suco de laranja, o país mostra a cada dia seu potencial como maior produtor de alimentos do mundo. Denise destacou em sua palestra as ações desenvolvidas pela Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, criada em 2005, com o objetivo de fortalecer o relacionamento do comércio exterior agropecuário brasileiro. Há dois anos, a secretaria formou a primeira equipe de adidos agrícolas que identificam as oportunidades de mercado para os produtos nacionais além de defenderem os interesses do Brasil. Esses profissionais hoje estão localizados na África do Sul, Argentina, Bélgica, China, Estados Unidos, Japão, Rússia e Suíça.

Guilherme Figueiredo Marques, do departamento de Saúde Animal, da Secretaria de Defesa Agropecuária, apresentou ações desenvolvidas pelo Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa. “Em 1992, saímos do controle da doença e partimos para a erradicação, mudamos nossa postura frente aos produtores”, explica. A estratégia para erradicação envolveu a criação de zonas livres, participação da sociedade, implantação de campanhas de vacinação, fortalecimento do serviço veterinário oficial, entre outras ações. O resultado desse trabalho pode ser observado em 1995 com uma queda radical de focos. “E há cinco anos não ocorrem focos no Brasil”, comemora. Porém ele faz um alerta: mesmo que o país consiga erradicar a febre aftosa, jamais o problema será resolvido. É preciso investir na prevenção. Para isso é de suma importância que o Governo Federal, o Governo Estadual e o setor privado tenham uma meta em comum, que é de manter a doença longe do país. Já foram investidos US$ 31 bilhões no programa, e 70% desse total veio do setor privado, com a vacinação. Por ano, são aplicadas cerca de 350 milhões de doses da vacina contra a febre aftosa em todo o país, com exceção de Santa Catarina por ser um estado reconhecido como livre de aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Acre, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo, Sergipe, parte do Amazonas e do Pará estão classificados como área livre de febre aftosa com vacinação.

Para finalizar as atividades do dia, Gilman Viana, secretário da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais, enfatizou a necessidade da aplicação de tecnologia e constante busca e disseminação de conhecimento para o avanço cada vez maior do agronegócio brasileiro. “Somente com a aplicação de novas tecnologias é possível aumentar a produtividade em menor área. Isso só é possível através de conhecimento científico”. Gilman acredita também que, além do conhecimento é preciso desenvolver a cidadania e apontou os desafios que o país tem pela frente, como desenvolver processos manufatureiros que causem menos poluição, garantir a segurança alimentar, gerar empregos, viabilizar a previdência e a sobrevivência digna dos idosos e educar os jovens.

O congresso foi realizado pela Associação Capixaba dos Criadores de Nelore (ACCN) e conta com o apoio de Secretaria Estadual de Agricultura, Incaper- Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, Instituto de Defesa Agropecuária 'Florestal (IDAF), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (FAES), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Conselho Regional de Medicina Veterinária e Zootecnia do Espírito Santo, Universidade Vila Velha (UVV), Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). O evento tem como patrocinador o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo S/A – Bandes, e as empresas Chocolates Garoto, Fertilizantes Heringer, Nelore Heringer, Matsuda Sementes e Nutrição Animal, Unicafé, Premix, Fazendas Ecológicas, Clac Importação e Exportação, Agropecuária Canal, Laticínios Selita, Grupo Águia Branca, Laticínios Fiore e Apoio Agrícola e Sementes Oeste Paulista - SOESP.
 
As informações são de assessoria de imprensa.
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