Agronegócio

A agricultura familiar é a chave para a segurança alimentar da AL e Caribe

As três agências apresentaram um informe anual sobre a agricultura na região durante o Encontro de Ministros de Agricultura das Américas 2013, em Buenos Aires
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Santiago do Chile, 26 de setembro de 2013 - Diante das limitações em incluir novas terras para a agricultura, a produção adicional de alimentos na América Latina e Caribe pode ser alcançada por meio do aumento da produtividade do setor, um objetivo no qual a agricultura familiar exerce um papel fundamental, de acordo com um relatório apresentado, hoje (26), em Buenos Aires, Argentina, durante o Encontro de Ministros de Agricultura das Américas 2013. 


O documento Perspectivas da Agricultura e do Desenvolvimento Rural nas Américas 2014: um olhar para a América Latina e o Caribe foi elaborado em conjunto pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), pelo Escritório Regional para a América Latina e o Caribe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

A publicação inclui um capítulo especial sobre a situação e as expectativas da agricultura familiar na América Latina e Caribe, além de uma análise do contexto macroeconômico, dos setores agrícolas, pecuária, silvicultura e pesca, do bem-estar rural e da institucionalização da agricultura.


De acordo com Alicia Bárcena, Secretária Executiva da CEPAL, apesar da desaceleração agrícola da região em 2013, para o ano de 2014 são esperadas condições econômicas que possam promover o crescimento econômico e o crescimento da agricultura regional. "Essas tendências devem ser sustentadas por políticas voltadas não somente para melhorar o desempenho da agricultura comercial, mas também aumentar a inclusão bem sucedida da agricultura familiar nas cadeias de valor”, disse. 

Segundo o Diretor Geral do IICA, Victor M. Villalobos, "a agricultura familiar é a atividade econômica com o maior potencial para aumentar a oferta de alimentos da região, reduzir o desemprego e retirar da situação de pobreza e de desnutrição a população mais vulnerável das zonas rurais”. 


O Representante Regional da FAO para América Latina e Caribe, Raul Benitez, concordou e acrescentou que para atingir essas metas "é essencial promover a inovação e a geração de tecnologia, assim como promover a inclusão da agricultura familiar nas cadeias de valor e a permanência dos jovens no campo". 

CEPAL, FAO e IICA destacam que para estabelecer uma maior relação com o mercado, a agricultura familiar deve adaptar seus métodos de produção às novas exigências aproveitando, por exemplo, o aumento na cobertura das telecomunicações nas áreas rurais, o que permitirá o acesso a mais e melhores informações e, assim, a melhorar as capacidades de produção, gestão e negociação. 

Contexto macroeconômico e análise agrícola

Após a desaceleração do ano passado, em 2013, a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e Caribe se estabilizaria em torno de 3%. Já para 2014, entre 3,5% e 4%. 

Espera-se que a produção de grãos (o grupo de alimentos mais importantes na dieta humana) alcance safras recorde no norte e sul do hemisfério, o que aliviaria parcialmente os impactos negativos que a variação climática causou nestes e em outros cultivos em 2012. 

A partir de 2014, a produção e as exportações agrícolas da região receberão o impulso da recuperação da demanda global, que por sua vez será incentivada pelo crescimento dos países em desenvolvimento e a expansão de sua classe média, enquanto não houver efeitos adversos causados por condições climáticas extremas ou pela fragilidade do dólar. 

As três agências estimam que durante a próxima década os preços agrícolas cairão em termos reais, para o que se devem tomar medidas de aumento do investimento, da produtividade e da eficiência da agricultura, de maneira que o setor consiga enfrentar da melhor forma os riscos climáticos e econômicos, que têm resultados duradouros sobre os preços. 

CEPAL, FAO e IICA recomendam três tipos de políticas para assegurar as perspectivas de crescimento da agricultura regional, no que se refere à adaptação da produção à demanda mundial e ao clima, à saúde e à segurança dos alimentos (SAIA) e ao funcionamento dos mercados e o comércio. 

No primeiro caso, sugerem aos países da América Latina e do Caribe que aproveitem as oportunidades decorrentes do crescimento da demanda global por alimentos e apoiem as políticas de mitigação dos impactos das mudanças climáticas e da variação climática sobre a produção e as populações rurais. 

No segundo grupo de políticas, propõem fortalecer a capacitação dos recursos humanos e modernização dos sistemas de SAIA dos países, enquanto que no terceiro caso enfatizam a necessidade de promover a cobertura e acesso a seguros agrícolas como ferramenta para a gestão de riscos. 
 
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