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A importância do tamanho do farelo


Se alguém se desse ao trabalho de perguntar aos suinocultores e aos avicultores catarinenses qual sua maior preocupação, seguramente não ouviria que são as dimensões das partículas de farelo de milho usadas na ração dos animais que tiram o sono do pessoal. Mas a questão - à primeira vista irrelevante para quem precisa pensar em preços, mercados, controle de doenças e outras coisas do dia-a-dia da produção -, demorou 10 anos para ser respondida por técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de Concórdia.

E quando chegaram a uma conclusão, os seis pesquisadores que se debruçaram sobre o assunto descobriram que a definição do Diâmetro Geométrico Médio (DGM) ideal do farelo pode resultar em redução de 5% dos gastos com ração, principal fonte de despesas da suinocultura. A economia é resultado principalmente do aproveitamento ideal do milho. Segundo o técnico da Embrapa Cláudio Bellaver, as pesquisas mostraram que um suíno é capaz de digerir completamente partículas de milho com diâmetro entre 509 e 645 micrômetros - o equivalente a 0,509 milímetros ou 0,645 milímetros. Se a partícula for maior do que o limite estipulado pelas pesquisas - o DGM médio praticado hoje é de 1 milímetro - os suínos não digerem todo o alimento e os excessos de milho saem nas fezes dos animais. Se a partícula é menor do que o piso definido pela Embrapa, e a ração fica ´fina´ demais, os suínos têm úlceras estomacais.

No caso dos suínos, mostraram os estudos, o ganho do produtor ocorre principalmente na diferença milimétrica entre o tamanho usual e o ideal do farelo. Em um cálculo rápido, o economista e técnico da Embrapa, Ademir Girotto, diz que a economia de ração durante a vida do animal - desde o nascimento até a terminação - chega, no mínimo, a 20 quilos - o equivalente a R$ 6,52 por suíno. Assim, observa, se o DGM ideal fosse usado na alimentação de apenas 767.815 animais (5% do rebanho abatido na região Sul no ano passado), seriam economizadas 15.356 toneladas de ração - ou R$ 5 milhões.

Na avicultura, a dificuldade para quantificar os ganhos é maior. Como começam a digestão na moela, os frangos e galinhas podem comer rações mais grossas, com DGM perto de 1 milímetro. Assim, a medição do diâmetro, feita por um equipamento chamado granulômetro, não resulta em diminuição significativa do uso de matéria-prima, mas principalmente na melhoria do processo de produção de rações. ´Compramos o medidor há um ano porque tínhamos problemas sérios de desperdício.

Agora, com a possibilidade de determinarmos o DGM do farelo, definimos o tamanho ideal para cada fase das aves - inicial, de crescimento e final - e passamos a fazer o produto nos limites determinados. Assim os frangos comem tudo o que damos, o que não ocorria quando a ração ia às granjas 'mais grossa'´, diz o proprietário da Agrofrango Indústria de Alimentos Ltda, André Delai. Segundo ele, a empresa, que fica em Ipumirim, no oeste catarinense, produz 200 toneladas/dia de rações. O volume é suficiente para alimentar o 1,5 milhão de aves alojadas que garantem ao frigorífico o abate diário de 55 mil animais.

Apesar do otimismo dos técnicos e de gente como Delai, o granulômetro, desenvolvido depois de quatro anos de um trabalho de parceria da Embrapa com a Perozin Indústria Metalúrgica Ltda, de Concórdia, não fez muito sucesso entre a maioria dos produtores. ´O conhecimento existe e foi reunido em um equipamento, o que é o objetivo de nossas pesquisas. Resta agora que o pessoal do campo utilize o que desenvolvemos´, diz Cláudio Bellaver.

´Como o produto é novo - e pouco conhecido - os negócios estão em ritmo lento. Isso porque o pessoal ainda não sabe ao certo o que o granulômetro faz´, diz o presidente da Perozin, Harry Perozin. Para reverter a situação, a empresa, que produz alimentadores e bebedores de suínos, moedores de ração, silos, entre outros itens, começou a organizar encontros com produtores, fabricantes de rações e agroindústrias. ´As reuniões servirão para mostrarmos a utilidade do produto.

O funcionamento do granulômetro é simples. O milho, moído, é colocado em um tubo onde há uma régua. Em seguida, um peso de metal comprime o farelo. O suinocultor vê quanto desceu o peso e compara o número registrado na régua do granulômetro com uma tabela elaborada pela Embrapa. Se o peso descer 10 centímetros, por exemplo, as partículas de milho estão grossas demais para suínos. Se o peso desce de 10,6 cm a 13 cm, o farelo está no tamanho ideal.

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