A pioneira das agroindústrias legalizadas da região

Agroindústria familiar

A pioneira das agroindústrias legalizadas da região

Delícias do Campo conta com uma das bolachas mais queridas entre os consumidores e estabelecimentos do Centro Serra
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Numa região essencialmente agrícola, como é caso do Centro Serra, as agroindústrias familiares surgem como um grande atrativo para as famílias do campo que desejam comercializar seus produtos. Dos empreendimentos que estão legalizados atualmente, muitos começaram como pequenos negócios, inclusive com a venda sendo feita diretamente nas ruas. Caso da Agroindústria Delícias do Campo, com sede na localidade de Santa Lúcia, interior de Ibarama.

Foi batendo de porta em porta que o negócio da família Cassol nasceu e cresceu, tornando as bolachas da agroindústria um dos produtos mais queridos pela comunidade regional. “Tudo começou em 2000, quando vendíamos nossos produtos nas ruas de Ibarama e Sobradinho. Sempre fomos muito bem recebidos pelas pessoas”, afirmou a proprietária Adriana Barrichello Cassol, que recebeu a reportagem da Rádio Gazeta FM durante o quadro “Café na Roça”, veiculado dentro do Giro Regional da última sexta-feira, 22.

A comercialização ocorria sem transtornos, até que em um certo dia, Adriana foi alertada sobre as normas de vigilância sanitária. “Uma fiscal me abordou em Sobradinho, perguntando se eu tinha alvará. Nem sabia o que era isso. A partir daí, comecei a pedir auxílio a Emater. Foi o começo da agroindústria”, lembra. O passo seguinte foi ir até Cachoeira do Sul, no Departamento de Vigilância Sanitária. Em 2012, a Delícias do Campo começava o processo de legalização.

Com o alvará sanitário emitido, em 2013, era hora de começar as atividades. Regularizada, a Agroindústria Delícias do Campo era a realização de um sonho de Adriana. “Desde os 9 anos eu já fazia comida. Aprendi a cozinhar com a minha mãe, que tem 72 anos. Comecei com receitas muito antigas.Também aprendi muito com as minhas avós, materna e paterna”, ressaltou.

A legalização da Delícias do Campo abriu as portas para que outros produtores seguissem o mesmo caminho, regularizando suas atividades no Programa Estadual de Agroindústria Familiar. “O Giovani (Vielmo, chefe do escritório municipal da Emater de Ibarama) sempre fala que fomos a primeira legalizada, inclusive com a licença ambiental, o selo Sabor Gaúcho. Nos sentimos muito honrados por isso”, comenta Adriana, que destaca também o apoio das extensionistas Maiara, Lilian e Letícia.

Bolacha vira o carro-chefe da Agroindústria

No início, a Agroindústria Delícias do Campo contava com uma gama considerável de produtos, como bolachas, cucas, pães e pizzas. “A bolacha sempre foi o mais vendido, mas antes fazíamos de tudo. Só que todo ano a Emater faz a gestão econômica. Um dia, chegaram para nós e falaram que tais itens não estavam dando lucro. Aí, decidimos focar na bolacha. Temos 11 qualidades diferentes, sendo que o bem-casado e a goiabinha são as mais vendidas”, lembra.

A qualidade nutricional é outro diferencial das bolachas. Adriana ressalta que um dos princípios da família e da agroindústria é lutar pela alimentação saudável. “Nas bolachas, não vai nada de gordura vegetal. Temos que batalhar pela saúde das pessoas”, ressalta. Para isso, conta com o auxílio da nutricionista da Prefeitura de Ibarama, Eliana Sehn Denardi.

Demanda maior a partir de março

Todo o trabalho de preparo e produção das bolachas é feito por Adriana. Já a parte da entrega fica a cargo do esposo Valdir, que também auxilia nas demais atividades da propriedade, como o cultivo do fumo burley e as lavouras de milho e feijão. Desde o começo, o Supermercado Avenida abriu as portas para a Agroindústria. A venda também é feita em estabelecimentos nos municípios de Ibarama, Sobradinho e Segredo, tanto na cidade quanto no interior.

A demanda, segundo Adriana e Valdir, é menor no verão devido às férias, mas cresce a partir de março, com a merenda escolar. “Começamos o ano com 250 quilos de bolacha ao mês, depois dobramos a produção. Temos uma receptividade ótima nas escolas e nos mercados. Só temos que agradecer”, afirmou Valdir. Para dar conta de tanto trabalho, os dois acordam bem cedo, às 5 horas, todos os dias.


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