Abastecimento desfavorável sustenta os preços do algodão em São Paulo


Agronegócio

Abastecimento desfavorável sustenta os preços do algodão em São Paulo

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Após cerca de trinta dias de estagnação e gradual queda, o indicador de preços da Esalq/BM&F para o algodão posto em São Paulo/SP deu sinais nesta semana de que o mercado externo realmente será o direcionador da comercialização no Brasil este ano. Com o início das colheitas em Estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, um volume melhor de negócios deve ser concretizado já nas próximas semanas, quando teremos uma maior transparência no mercado interno.

O ritmo da comercialização pode ser mais lento do que na safra passada em razão dos fatores macroeconômicos internos e externos estarem desfavoráveis a todo o setor industrial brasileiro, agravados pela iminente crise internacional originária do conflito militar entre EUA e Iraque.

Com a perspectiva de um baixo crescimento na atividade têxtil, a CONAB considera que a demanda de algodão no Brasil neste ano/safra será de apenas 780 mil ton, ainda abaixo da safra passada, quando o consumo nacional de pluma já foi muito fraco.

Na safra 2001/02 a oferta de algodão foi inferior ao respectivo consumo das industrias, sendo que o déficit ficou maior com as exportações por parte dos produtores, as quais atingiram cerca de 108 mil ton. Assim, além de necessitarem importar quase 70 mil ton, em grande parte do Paraguai, as indústrias tiveram ainda que contar com os estoques de algodão da CONAB para complementar seu abastecimento.

Somente entre setembro e dezembro do ano passado, a CONAB já havia vendido cerca de 40 mil ton de algodão em pluma às indústrias consumidoras. Estima-se que os estoques públicos estão abaixo de 50 mil ton neste início de safra, com um nível de qualidade predominantemente inferior. Assim, as indústrias neste ano poderão contar muito pouco com o algodão remanescente da CONAB para complementar seu abastecimento.

Apesar da maior produção estimada nesta safra 2002/03, todo o reajuste deverá ser facilmente escoado ao mercado externo pelos produtores/tradings e em níveis de preços, até o momento, superiores ao mercado interno. Alguns operadores de mercado acreditam que as vendas externas da safra 2002/03 podem superar com facilidade 170 mil ton.

Este otimismo certamente tem sustentação. Os indicadores futuros em Nova York já atingem níveis de US$ 60,0 cents/lp a partir do segundo semestre deste ano, com uma alta de mais de 40% em relação ao ano passado. O índice Cotlook A também está indicado atualmente acima destes patamares.

Ao lado da forte e gradual recuperação do mercado internacional, está a sobrevalorização do dólar no Brasil, com semelhante alta de quase 50% em relação ao ano passado.

Para retratar melhor a significativa tendência e direcionamento da comercialização às exportações, vale ressaltar o fluxo diário de negócios na BM&F/SP. Desde o início deste ano, os registros na Bolsa de Mercadorias indicam um volume negociado de quase 210 mil ton de algodão em pluma. Deste total, 90 mil ton (43%) foram relativas a contratos de exportação, sendo quase 40 mil ton oriundas da safra 2002/03 e grande parte do volume restante relativo à próxima safra 2003/04.

Considerando um fluxo modesto das exportações neste ano em pelo menos 150 mil ton, acredita-se que o setor industrial teria quase que dobrar o volume importado nesta safra, saindo de 68,0 mil ton em 2002 para 125 mil ton em 2003, ou seja, mais de 15% de seu abastecimento previsto. Para um ano em que os custos do mercado internacional e cambial serão provavelmente mais altos, este índice é de certa maneira considerável.

Resta então às indústrias têxteis tentar acompanhar a paridade com o mercado internacional, visando pelo menos igualar a competitividade do mercado interno com o externo e reduzir assim o avanço das exportações de sua matéria-prima. Esta é basicamente a razão da melhor sustentação dos preços em São Paulo e nas regiões produtoras durante esta semana.

Não podemos admitir que os níveis de preços ao produtor não mais continuarão a recuar, pois a maior parte da safra oriunda do Centro-Oeste ainda está por ser colhida nos próximos meses. Mas a paridade com o mercado internacional é um bom referencial do que pode ser o limite inferior dos preços neste ano durante a colheita das safras de Goiás e Mato Grosso.

Com os recentes níveis do mercado internacional e mantendo o atual patamar cambial, nossa projeção de preços mínimos para julho deste ano está em R$ 53,51/@ posto São Paulo/SP, o que indica uma margem técnica de queda ainda possível de 7% nas cotações até a entrada no mercado da safra proveniente do Mato Grosso.


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