Tem mais polenta, cuzcuz e outros pratos à base milho no cardápio do brasileiro. De abril a setembro deste ano, o consumo do cereal por humanos cresceu 8% no país, conforme informações da Associação Brasileira das Indústrias Moageiras de Milho (Abimilho). Em algumas regiões do Norte e do Nordeste, o aumento é mais expressivo: 30% no setor de empacotados, que inclui fubá, flocos e farinha.
A conjuntura resulta de fatores combinados. Um deles, segundo Nelson Kowalski, presidente da Abimilho, é o encarecimento das farinhas de mandioca e trigo e a consequente substituição desses alimentos por similares de milho. A campanha ""Milho é Melhor"", promovida pela entidade, também estimulou o consumo, principalmente entre consumidores não tradicionais.
Além disso, a distribuição do cartão magnético de renda, pelo governo estadual, contribuiu para aumentar a procura nas classes menos favorecidas. ""Até o fato do presidente Lula aparecer comendo frango com polenta ajudou"", disse Kowalski.
Apesar do cresicmento registrado, o consumo poderia ser maior. A engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), comentou que o baixo poder aquisitivo da população restringe o crescimento.
Segundo ela, o consumo per capita, no país, é de 18 quilos ao ano por habitante. No México, chega a 63 quilos. O Brasil destina a maior parte da produção para alimentar animais. A pecuária, principalmente avicultura e suinocultura, responde por 80% do total consumido. Terceiro maior produtor do mundo, o Brasil produziu em 2003, 47 milhões de toneladas de milho. Apenas 12% desse montante, ou 4,5 milhões de toneladas, é destinado à alimentação humana.
Kowalski explicou que esses números estimularam a realização da campanha ""Milho é Melhor"", que teve objetivo de atrair novos consumidores, principalmente casais que trabalham fora e almoçam diariamente em restaurantes self service ou de empresas. Em São Paulo, a entidade conseguiu reintroduzir o milho na merenda escolar. ""É um produto enriquecido com ferro e ácido fólico."" A expectativa é continuar a campanha no ano que vem, com meta de atingir crescimento anual de 10% nos próximos três anos.
Alzir Bocchi, superintendente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Londrina, confirma que os consumidores incorporaram o milho nas refeições diárias. Ele comentou que o consumo aumentou 25% nos últimos três anos. O novo hábito é bem visto pelo setor, que consegue baixar custos ao substituir a farinha de trigo por derivados do cereal.
Nos restaurantes self services, o milho é servido in natura ou na forma de polentas e cremes, além do tradicional curau na sobremesa. Nas churrascarias, a polenta frita já virou prato tradicional. Nos hotéis, os bolos, pães e broas à base do produto são muito bem aceitos.