Abitrigo estima safra 60% maior este ano
A próxima safra deverá atingir um volume máximo de 3,7 milhões de toneladas
Reuters - A próxima safra de trigo do Brasil deverá atingir um volume máximo de 3,7 milhões de toneladas, avaliou o presidente da Abitrigo (Associação Brasileira das Indústrias do Trigo), Samuel Hosken. A produção, se o tempo permitir, cresceria mais de 60 por cento em relação à do ano passado, quando o país colheu 2,23 milhões de toneladas, mas ficaria bem abaixo do melhor resultado obtido nos últimos cinco anos em 2003/04, o Brasil colheu 6 milhões de toneladas.
No ano passado, a safra brasileira tinha potencial para produzir mais de 4 milhões de toneladas, mas foi prejudicada por seca no plantio, geadas tardias e chuvas na colheita nas principais áreas produtoras. "(A produção) deve ficar entre 3,6 e 3,7 milhões de toneladas", afirmou à Reuters o executivo, no início da noite de terça-feira, após participar de um seminário em São Paulo.
Ao ser questionado se o novo componente da agroenergia, que tem favorecido os preços do milho, estaria limitando a área plantada do cereal no país, Hosken concordou. "Especialistas estão dizendo que a área da safrinha (segunda safra de milho no Paraná) vai crescer muito mais que o esperado", declarou ele.
Analistas têm dito que o milho segunda safra, que concorre em área com o trigo, principalmente no Paraná, o maior produtor do cereal no Brasil, tem mais liquidez no momento da comercialização, o que está estimulando o plantio da safrinha. "Temos visto migração do trigo para o milho nas regiões norte e oeste, que têm vocação para o cultivo dos dois cereais", disse durante o seminário o professor da Universidade Federal do Paraná, José Roberto Canziani, salientando que "no milho não temos visto os lapsos de liquidez do trigo".
Outro limitador da produção de trigo no Paraná, onde o plantio está em fase inicial, é o tempo seco, que pode atrapalhar os trabalhos. "Os produtores estão preocupados com uma seca que já dura três semanas, em muitas regiões ainda não houve germinação", disse Canziani. O governo do Paraná estimou em março a safra deste ano em 2,33 milhões de toneladas, mas já há quem avalie que a área projetada, de 930 mil hectares, não seja alcançada.
Canziani, especialista no setor, avalia que o Paraná deverá colher 2,15 milhões de toneladas, um volume ligeiramente menor do que o projetado pelo Deral. O professor apontou ainda que a safra brasileira deverá atingir 3,98 milhões de toneladas, considerando a safra do Rio Grande do Sul.
Importações:
Produzindo apenas 3,7 milhões de toneladas, ou cerca de 40 por cento de seu consumo anual, o Brasil poderia importar na próxima safra aproximadamente 1,5 milhão de toneladas menos do que na atual temporada, segundo a Abitrigo. "Imagino que seja a diferença entre a produção de 2006 e a de 2007", respondeu ele, ao ser questionado sobre o volume de importações esperado para a próxima safra.
Considerando que a produção estimada pela Abitrigo se confirme, o Brasil importaria em 2007/08, portanto, cerca de 6,5 milhões de toneladas. No atual ano agrícola, que se encerra em julho, o Brasil assumiu novamente a posição de maior importador mundial o governo brasileiro estima compras no exterior de 7,9 milhões de toneladas em 2006/07.
Segundo Hosken, o Brasil deverá importar até o final do atual ano-safra trigo de origens extra-Mercosul, tradicional fornecedor do Brasil.
Isso ocorreria para suprir o abastecimento interno até a colheita nacional, em setembro, uma vez que os estoques brasileiros estão baixos, e a Argentina provavelmente não terá o volume necessário para atender a demanda brasileira.