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Aftosa obriga sacrifício de 20 mil animais em MS

Este é o número necessário para controlar os focos da doença na região afetada


O número de animais que será necessário sacrificar para se alcançar o controle da febre aftosa na chamada zona-tampão no sul do Mato Grosso do Sul deve superar 15 mil, segundo o governo do Estado. Até domingo (06-11), foram abatidos 3.310 cabeças e para o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o País terá de destruir 20 mil animais, a maior quantidade já abatida pelo Brasil, superando a marca dos 11.700 animais abatidos em 2001 quando houve focos de febre aftosa no município de Jóia, no Rio Grande do Sul.

O Panaftosa (Centro Pan-Americano de Febre Aftosa), organismo que dá suporte técnico aos países da região, afirma que o Brasil sacrifique ao menos 13.713 animais em Mato Grosso do Sul – número que considera apenas as propriedades atingidas. O Iagro (Agência Estadual de Defesa Animal e Vegetal) admite que tem enfrentado problemas para agilizar o sacrifício, principalmente por causa do excesso de chuvas na região.

Na segunda-feira, a Iagro afirmou que tentará acelerar o trabalho. "De fato tem chovido muito e isso atrapalha muito o trabalho das equipes", afirmou João Cavalléro, diretor-presidente do Iagro, informando que foram criadas cinco frentes de trabalho para concluir o sacrifício dos animais em até 15 dias. "Duas semanas, esse é o tempo para concluir o trabalho em Mato Grosso do Sul", prometeu Cavalléro.

Além das chuvas, outro problema está na logística necessária para promover os sacrifícios nas pequenas propriedades rurais, principalmente naquelas em assentamentos. A violência do sacrifício dos animais tem exigido da agência até o apoio psicológico para as famílias. Isso porque nas áreas de assentamento, a pecuária leiteira é a única fonte de renda. Apesar das promessas de indenização por parte dos governos estadual e federal, muitos temem pela demora pela avaliação de suas reses.

A eliminação de animais doentes ou não provoca uma forte reação dos assentados, seja pelo apego ao gado, seja pelo drama social gerado a partir do sacrifício. "Não é fácil fazer este trabalho. É preciso observar a posição correta das valas sanitárias, observar onde está o lençol freático, avaliar o tamanho das covas, promover educação sanitária entre as pessoas da propriedade, explicar porque é preciso sacrificar os animais, fazer uma preparação psicológica das famílias", enumera o diretor-presidente da Iagro.

Depois de concluir todos os sacrifícios no município de Eldorado, onde surgiu o primeiro foco da doença (na fazenda Vezozzo), o Iagro concentra-se agora na cidade de Japorã, onde estão 16 dos 22 focos de febre aftosa confirmados no Estado. "A situação está na mão. Temos quase absoluto controle", explica o diretor-presidente da Iagro.

O "quase" é porque o tempo joga a favor do vírus. A demora em sacrificar animais doentes ou hospedeiros do vírus contribuiu para a proliferação da contaminação. O Iagro tem comemorado o fato de ter confinado o vírus na zona-tampão, a área de 25 quilômetros que atinge cinco municípios da zona infectada: Eldorado, Japorã, Mundo Novo, Itaquiraí e Iguatemi.

Mesmo com o surgimento do último foco na fazenda Princesa do Sul, propriedade localizada mais a oeste da cidade de Japorã e distante da concentração de outros focos, o Iagro garante que a doença está contida na zona-tampão. Tanto que apesar de o perímetro do novo foco avançar sobre áreas dos municípios de Sete Quedas e Tacuru, a interdição permanece nos cinco municípios, sem avanços. A razão disso, afirma Cavalléro, está no fato de que em ambas as cidades há barreiras naturais, como rios e florestas. Isto isola as cidades e torna desnecessária a interdição de novas cidades.

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