Agricultores dos EUA elogiam decisão sobre tarifas
Produtores de soja estão entre os mais impactados
Produtores de soja estão entre os mais impactados - Foto: USDA
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de limitar o uso de poderes emergenciais para impor tarifas trouxe repercussão imediata ao comércio internacional e ao agronegócio. O tribunal entendeu que a legislação invocada pelo presidente não autoriza a criação unilateral de tarifas, reforçando que a competência tributária cabe ao Congresso.
A medida foi vista com alívio por representantes do setor agrícola e de alimentos, embora a avaliação predominante seja de que a guerra comercial deve continuar. Após o revés judicial, o governo adotou uma tarifa global de 15% com base em outro dispositivo legal, válida por até 150 dias, prorrogáveis pelo Congresso.
Analistas como Dan Basse, da AgResource Company, afirmam que a decisão reduz a margem de manobra da Casa Branca e tende a tornar as negociações comerciais mais formais. Ele pondera, no entanto, que a incerteza permanece e pode até se intensificar no curto prazo.
Produtores de soja estão entre os mais impactados. As exportações do grão caíram 13% em 2025, enquanto custos de insumos importados subiram com as tarifas. A Associação Americana de Soja defende previsibilidade e alerta para a pressão crescente sobre margens.
O setor de panificação também relata aumento expressivo de custos com ingredientes e equipamentos importados. Já parlamentares e entidades rurais afirmam que os efeitos das tarifas deixaram perdas duradouras.
Mesmo antes da escalada recente, a participação dos Estados Unidos nas exportações globais de grãos vinha recuando, em meio ao avanço de concorrentes e a mudanças estruturais no mercado.