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Agricultura vertical avança, mas enfrenta desafio ambiental

O principal fator está no elevado consumo de energia


O principal fator está no elevado consumo de energia O principal fator está no elevado consumo de energia - Foto: Semagro- Governo do Estado do Mato Grosso do Sul

A agricultura vertical é frequentemente apresentada como solução para produzir alimentos de forma eficiente, com baixo uso de água e sem dependência do clima. Em ambientes fechados, iluminados por LEDs, hortaliças crescem sem solo e com alta produtividade, o que desperta interesse em países que dependem de importações para abastecer o mercado interno.

Um estudo recente da Universidade de Surrey, publicado na revista Food and Energy Security, indica que esse modelo ainda enfrenta limitações ambientais relevantes. A pesquisa comparou a produção de alface em fazendas verticais comerciais no Reino Unido com cultivos tradicionais em campo, tanto em solos minerais quanto em turfa, além de áreas produtoras na Espanha. A análise considerou todo o ciclo produtivo, do plantio à entrega no varejo.

Os resultados mostram que as fazendas verticais alcançam produtividade muito superior, chegando a cerca de 97 quilos por metro quadrado, contra pouco mais de 3 quilos nos sistemas convencionais, além de utilizarem significativamente menos água. No entanto, a pegada de carbono é maior. Mesmo operando com eletricidade renovável, a produção vertical apresentou emissões superiores às do cultivo em campo. Quando considerada a matriz elétrica atual do Reino Unido, as emissões podem ser até cinco vezes maiores.

O principal fator está no elevado consumo de energia necessário para iluminação, climatização e ventilação contínuas. O estudo também aponta o impacto dos materiais usados no cultivo, como os suportes de fibra de juta, cuja produção e descarte aumentam o custo ambiental. A substituição por alternativas como a fibra de coco poderia reduzir significativamente o uso indireto de terra.

Apesar dos desafios, a pesquisa destaca o papel da agricultura vertical na segurança alimentar, especialmente diante das mudanças climáticas e da dependência de importações sazonais. A conclusão é que avanços em eficiência energética e inovação em materiais são decisivos para aproximar esse sistema de um modelo mais sustentável.
 

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