Agropalma é a primeira a exportar óleo de palma sustentável no Brasil
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Agronegócio

Agropalma é a primeira a exportar óleo de palma sustentável no Brasil

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Após conquistar o certificado internacional emitido pela RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil/ Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável) em agosto de 2011, a Agropalma fecha venda do primeiro lote de óleo de palma sustentável para uma companhia em Hamburgo, na Alemanha, que recebe os produtos a partir de fevereiro.


Com saída pela região portuária de Belém (PA), o embarque do navio Wappen Von Leipzig, hoje, incluirá o Brasil num seleto e reduzido número de países produtores e exportadores da matéria-prima. A Agropalma exportará 6400 toneladas de óleo de palma e 500 toneladas de óleo de palmiste, ambos certificados pela RSPO, o que rende a companhia um prêmio sobre o preço de US$ 13,00/tonelada para o óleo de palma e US$ 15,00/tonelada para o óleo de palmiste.

Somente com prêmios obtidos pela certificação RSPO, a empresa espera faturar nesse ano cerca de US$ 1,5 milhão. O certificado foi obtido após uma auditoria (que segue oito princípios, 39 critérios e mais de 190 indicadores sociais, ambientais, técnicos e econômicos) realizada no entorno da Agropalma, que abriga 40 mil hectares de plantios, cinco usinas de extração e uma refinaria no Pará.

Além desses, outras 1000 toneladas de óleo de palma orgânico também estarão no navio. A este óleo, além da certificação RSPO e o correspondente prêmio, soma-se um acréscimo de mais US$ 10,00/tonelada, fruto de outra certificação, a EcoSocial. O valor correspondente ao prêmio dos produtos orgânicos é totalmente aplicado em programas de educação de jovens e preservação ambiental na Amazônia. Muito conhecido no mercado internacional, o óleo de palma orgânico da Agropalma já foi exportado a países como Alemanha, França, Holanda, Israel, Coréia do Sul, Estados Unidos e Canadá.


“O perfil do consumidor muda a passos largos e os novos entrantes são jovens atualizados com esses novos conceitos e não aceitam mais que práticas nocivas a nova realidade socioambiental faça parte de um produto ou marca. Isso despertou o interesse das multinacionais, que, cada vez mais, ampliam suas linhas de produtos orgânicos e sustentáveis. Tal movimento tem proporcionado um novo ritmo no mercado internacional”, explica Marcello Brito, diretor comercial e de sustentabilidade da Agropalma.

No Brasil, não há indícios de que o mercado enxergue a sustentabilidade das matérias-primas como um ponto de crucial importância, pelo menos nesse momento. “Dos clientes atuais da Agropalma no país, a exceção de algumas grandes multinacionais do setor de alimentos e cosméticos, somente duas empresas demonstraram interesse em ter 100% de seu fornecimento calcado num produto de origem sustentável”, completa o executivo.

A venda do primeiro lote de óleo de palma sustentável, certificado pela RSPO, abre uma nova fronteira à agricultura brasileira e, principalmente, ao modelo de agricultura a ser praticada nas áreas degradadas da Amazônia. Segundo Brito, isso mostra que, apesar das dificuldades enfrentadas com a questão fundiária, leis trabalhistas obsoletas, legislação ambiental indefinida e estrutura logística deficiente, é possível produzir um bem agrícola, gerando riqueza e desenvolvimento social ao mesmo tempo em que se mitiga os danos ambientais inerente à produção de qualquer bem, seja ele alimento ou não.


O grande salto no consumo de óleo de palma sustentável deverá ocorrer a partir de 2015, prazo definido por alguns gigantes do setor de consumo de óleo de palma em um compromisso público de somente utilizá-lo com certificado sustentável. Neste hall entram Unilever, Cargill, Nestlé, Carrefour, Tesco, Wal-Mart, Henkel, entre dezenas de outros, e até países como Holanda e Bélgica, que por meio de associações patronais, em parceira com os governos, também limitarão suas importações a partir do final de 2015 a óleo de palma certificado RSPO. “Espera-se então que esse mercado atinja um patamar entre 12 a 15 milhões de toneladas anuais, o que equivale a mais de três vezes o mercado atual”, finaliza Brito.

Certificado RSPO

O processo de certificação da Agropalma ainda não se encerrou. De acordo com as normas do RSPO, uma empresa tem, a partir da data de sua certificação, um prazo de três anos para também preparar, treinar e certificar toda a sua cadeia de fornecimento de cachos de palma, sob pena de perder integralmente o certificado obtido.

Assim, a Agropalma efetivou uma parceria com a ONG Holandesa Solidariedad para esse intento e o processo já está em andamento. Espera-se concluir a etapa no segundo semestre de 2013.

Essa foi a forma encontrada pela RSPO de garantir que os ganhos advindos do processo de produção sustentável de óleo de palma seja também estendido aos mais de três milhões de pequenos produtores de palma espalhados pelo mundo, principalmente na Ásia.


Atualmente, a Agropalma tem cerca 220 parceiros entre agricultores familiares e produtores integrados considerados como pequenos e médios plantadores, totalizando uma área de dez mil hectares. O processo de certificação para agricultura familiar segue um modelo especialmente desenhado para este fim, respeitando as particularidades e as dificuldades inerentes a um pequeno agricultor.

Existem hoje no mundo 29 empresas, em seis países, com plantios de palma certificados. Juntas detém 135 usinas de extração de óleo e são responsáveis pelo processamento dos cachos advindos de uma área certificada de 1,131 milhões de hectares, com produção total em 2011 de 4,79 milhões de toneladas de óleo de palma e 1,11 milhões de toneladas de óleo de palmiste certificados. Desse total, 52% foram efetivamente vendidos como produto de origem sustentável. Apesar de aparentar um resultado pequeno, trata-se de um mercado em franca expansão. Em 2008 foram comercializados somente 2,7% do total do óleo certificado, em 2009 saltou para 25,3% e 46,2% em 2010.

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