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Álcool deve consumir mais da metade da safra de cana

Estima-se que 52,7% da cana-de-açúcar seja destinada ao álcool


Estimativa é de mais de 20 bilhões de litros de álcool na atual temporada ou 52,7% da cana. Os baixos preços do açúcar no mercado internacional deverão fazer com que a produção brasileira de álcool ultrapasse, em muito, a marca dos 20 bilhões de litros. A estimativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento já é maior que esse volume (20,2 bilhões), mas segundo o seu diretor de Álcool e Agroenergia, Ângelo Bressan, é uma previsão conservadora. Até mesmo a produção estimada de cana-de-açúcar na região Centro-Sul de 419 milhões de toneladas é preliminar e pouco gente aposta neste valor. Como as condições de produção são ótimas, a oferta de cana-de-açúcar deverá ficar acima das expectativas, acreditam alguns analistas.

A União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) anunciou informalmente que a safra nesta região será de 420 milhões de toneladas, 13% maior do que a anterior. Não se trata, no entanto, de uma estimativa oficial. Os números relativos à safra, que se inicia neste mês, serão levantados nas próximas semanas com ajuda de imagens de satélite e análise de especialistas. O mesmo ocorre com relação aos dados oficiais. Só nesta semana os técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sairão a campo para o levantamento da produção.

A oferta de etanol no entanto não depende só da produção de cana-de-açúcar. A maioria das usinas preparou seus equipamentos para processar este ano mais álcool que açúcar. Os preços da commodities cotados em Nova York -em torno de 9,5 centavos de dólar a libra-peso - não recomendam a sua produção na mesma proporção do ano anterior - 51% do total da cana-de-açúcar colhida destinada a açúcar e 49% para o álcool. Essa situação deverá se inverter dramaticamente segundo informam alguns usineiros. Dados preliminares da Unica indicam que as usinas irão favorecer o processamento de álcool chegando a 52,7% da cana-de-açúcar colhida destinada ao álcool e apenas 47,3% para açúcar.

Mercado

Caso essas previsões se confirmem, a oferta do combustível ficará acima da demanda. A expectativa é de que o consumo doméstico de etanol fique em 15 bilhões de litros, e as exportações não ultrapasse a 3,5 bilhões de litros. Isso garante um excedente capaz de derrubar os preços nos próximos meses. O mercado já está antecipando essa realidade. Na semana passada o preço médio do álcool hidratado caiu 4,7%, em relação à semana anterior, para R$ 0,9176 o litro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). A cotação do álcool anidro caiu menos: 1,49%, para R$ 1,0749 o litro.

Usinas modulares

O diretor-superintende do Grupo Equipav, Newton Salim Soares, disse que a Usina Promissão irá destinar 55% da matéria-prima para a produção de álcool. Soares explica que nem todas usinas têm essa versatilidade e por isso, não teriam condições de aproveitar os bons preços do álcool.

"Usinas com equipamentos mais antigos estão condenadas a uma produção equilibrada de álcool e açúcar", diz Soares. Isso não ocorre com as novas, que podem produzir até 100% de álcool. Mas isso ocorre apenas pelo fato de as novas usinas estarem em fase de instalação e serem modulares. Quase sempre é a parte alcooleira que fica pronta antes. Os investidores costumam deixar para depois a instalação dos setores de produção de açúcar, que são mais caro.

No ano-safra 2007/08 entram em operação 17 novas usinas na região Centro-Sul. Elas fazem parte do conjunto de investimentos dos setor estimado em US$ 20 bilhões até 2011, para a instalação de 86 projetos já em andamento e com as lavouras sendo cultivadas. Desse total, outras 31 usinas entrarão em operação na safra 2008/09; 30 em 2009/10 e 8 usinas na safra 2010/11.

Com a tendência de queda ou, na melhor das hipóteses, de estabilidade nos preços do açúcar, as cotações do álcool também deverão permanecer em níveis bastante baixos, segundo as expectativas dos usineiros. Com isso, a melhor opção para o produto na forma de combustível será o mercado interno. Embora o potencial do produto seja de demanda aquecida, a curto prazo as exportações devem repetir os 3,5 bilhões de litros embarcados na safra 2006/07.

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