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Algodão transgênico entrou ilegalmente no País há cinco anos


Assim como a soja, a semente transgênica de algodão chegou ao Brasil contrabandeada. E está presente no País há mais tempo que o governo imagina. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Sementes (Abrasem), há cinco anos, por meio de pirataria, chegaram as primeiras sementes geneticamente modificadas de algodão ao País. Dados da instituição mostram que 30% do produto cultivado foram comprados sem certificação, podendo ser ou não transgênico.

Os números do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento indicam que, até o momento, mais de 30% das amostras analisadas apresentam traços de transgenia e os indícios são de que, na próxima safra, que começa a ser cultivada em dezembro, os valores possam ser ainda maiores. Isso porque um algodão transgênico pode contaminar a planta convencional. Somente por volta de 2010 o Brasil terá a semente legalizada e produzida no País disponível ao produtor.

"O algodão tem fecundação aberta e a taxa de cruzamento é alta", afirma Francisco Aragão, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo ele, estudos internacionais mostram que o cruzamento pode ocorrer em até 20 metros, mas há indícios de interferências maiores pela ação do vento e de insetos. Para Aragão, além do perigo de o algodão transgênico estar contaminando o convencional - sem a liberação comercial - existe a preocupação que sejam atingidas espécies nativas. Existem no Brasil três tipos de algodão arbóreo, principalmente no Nordeste, que poderiam ser contaminadas.

Até o momento, o ministério detectou a presença de transgenia em oito estados do Centro-Norte do País. Todas as amostras foram feitas em armazéns ou beneficiadoras e, de 869 analisadas, 33,7% revelaram a presença de organismos geneticamente modificados. Segundo o secretário de Apoio Rural e Cooperativismo, Manoel Valdemiro Rocha, nenhuma amostra detectou mais de 1% de transgenia. "Isso demostra que houve contaminação", afirma. Ele disse também que o governo continuará autuando quem tiver qualquer traço de organismo geneticamente modificado.

Na semana passada, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a comercialização de sementes que contenham até 1% de transgenia. Rocha diz que desconhece o assunto e continuará seguindo a legislação atual.

Para o presidente da Associação Matogrossense de Produtores de Algodão (Ampa), João Luiz Ribas Pessa, 90% do cultivo no estado deve ter pelo menos 1% de transgênicos. O diretor de algodão da Abrasem, Cláudio Manuel da Silva, acredita que o transgênico chegou ao Brasil contrabandeado da Argentina, Estados Unidos ou Austrália. Atualmente a Embrapa pesquisa algodão resistente à lagarta, ao bicudo e com melhoria de fibra. Os estudos estão em fase de vegetação e a estimativa é que apenas em 2010 a semente esteja disponível.

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