Alimentação animal deve apresentar crescimento de 2% em 2015
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Agronegócio

Alimentação animal deve apresentar crescimento de 2% em 2015

Apesar da instabilidade econômica, produção do setor mantém leve elevação
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Pelo terceiro ano consecutivo, o setor de alimentação animal registra um leve aumento em sua produção. De acordo com dados do Sindirações - Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal -, a expectativa é de que o setor encerre o ano de 2015 com crescimento de 2%, registrando produção de 66,3 milhões de toneladas de ração, frente aos 65 milhões de 2014 e 62,6 milhões de 2013. Com relação à produção de sal mineral, o incremento se mantém elevado, com previsão de 2,43 milhões de toneladas em 2015, e histórico de 2,37 milhões de toneladas em 2014 e 2 milhões em 2013.
 
Ariovaldo Zani, vice-presidente executivo do Sindirações, ressalta que durante o ano de 2015, o efeito da desvalorização do real (moeda local) nos preços brasileiros encareceu as matérias-primas utilizadas na alimentação de aves, suínos, bovinos de corte e leite, entre outros e incrementou os preços agropecuários no atacado, além de afetar o fôlego financeiro das empresas. Foi o caso dos aditivos importados e indexados ao dólar e, por exemplo, do milho, cujo preço/tonelada na moeda brasileira avançou 24% de janeiro a novembro, enquanto o farelo de soja subiu 31%, apesar do contraste mundo afora, onde se observou flagrante alívio no custo global da alimentação animal, em boa medida, por causa dos recuos de 5% do preço em dólares do cereal e de 17% do farelo da oleaginosa. 
 
Embora a demanda global por proteína animal continue, as razões sobre a pressão nesses preços decerto deveram-se à generosa safra americana e às condições climáticas favoráveis ao plantio e produtividade na América do Sul, queda no preço do petróleo, desaceleração gradual chinesa, enxugamento monetário e alta dos juros nos Estados Unidos e a recuperação europeia ainda indefinida.
 
“Evidentemente, o real (moeda local) fraco e a volatilidade preocupou bastante porque expôs as empresas brasileiras que comercializam predominante ou exclusivamente seus produtos internamente, caso dos muitos produtores independentes de frangos, ovos, suínos, leite, etc., ávidos por crédito e maior capital de giro, necessários ao pagamento daqueles insumos e da energia elétrica que subiu muito”, ressalta Ariovaldo Zani, vice-presidente executivo do Sindirações.
 
As companhias exportadoras, caso das agroindustriais e integradoras brasileiras, exportadoras de farelo de soja, milho e carnes, foram favorecidas pela desvalorização cambial que compensou parte da queda dos preços internacionais das diversas commodities, apesar do imediato impacto negativo, naquelas hipoteticamente alavancadas e sem o escudo do hedge.
 
A combinação do ritmo veloz da desvalorização e da acentuada volatilidade que assolaram o Brasil, aumentou sobremaneira o custo, pressionou a inflação, e deteriorou os balanços de muitas empresas com passivo comercial e/ou financeiro externos.
 
Zani complementa que “o iminente enxugamento monetário americano em 2016 pode pressionar ainda mais o real (moeda local), estimular a inflação, fomentar maior taxa de juros, incrementar a elevada dívida brasileira, subsidiar a importação e aprofundar o déficit em conta corrente da produção local, muito embora o dólar valorizado venha favorecer a competitividade dos produtos agropecuários exportados pelo Brasil”.

 
Mesmo comprometida, frente a tantos desafios, a estimativa é que a indústria brasileira de rações e suplementos para animais de produção e alimentos para animais de companhia somou quase 69 milhões de toneladas, um avanço da ordem de 2%.

O produtor de frangos de corte demandou 32,4 milhões de toneladas de rações em 2015, um avanço de 3,5%, enquanto o alojamento de pintainhos cresceu 4,7% até setembro. A capacidade de compra do consumidor doméstico diminuiu por causa da deterioração econômica, motivo pelo qual a carne de frango substituiu crescentemente a carne bovina. Já a desvalorização do real (moeda local) frente ao dólar e os episódios de gripe aviária em países exportadores, circunstancialmente favoreceram os embarques de carne de frango ao exterior que até novembro foram incrementadas em quase 7%. 
 
A produção de rações para galinhas de postura, por sua vez, somou 5,5 milhões de toneladas e retrocedeu 4,5%, em resposta à deterioração da capacidade de compra do consumidor e à diminuição do alojamento de pintainhas que recuava  mais de 5% até setembro.
 
Durante o ano de 2015, a arroba do boi terminado permaneceu valorizada e o patamar de preço da carne bovina incomodou bastante o bolso do consumidor doméstico, que optou por proteína mais acessível, caso do frango e do suíno. Além disso, o retrocesso nas exportações e a interrupção da atividade de diversos frigoríficos inibiram a mobilização mais vigorosa dos pacotes tecnológicos. O alto custo da reposição de boi magro e, sobretudo o desajuste entre a oferta e demanda de bezerros, comprometeram a intensificação dos projetos de confinamento e semi-confinamento, embora, mais cedo ou mais tarde, esse ápice do ciclo pecuário vai reverter por causa da flagrante retenção de fêmeas. O saldo durante o ano frustrou as expectativas e redundou em 2,7 milhões de toneladas de rações e pouco mais de 2,4 milhões de toneladas de sal mineral demandados pelo gado de corte, apesar do câmbio bem mais competitivo, a abertura do mercado norte americano, Arábia Saudita, África do Sul e Iraque, a retomada dos embarques para o Japão e a China, além da ampliação para outros destinos tradicionais. É importante salientar que o gado de corte brasileiro continua majoritariamente criado à pasto e ainda demanda pouca alimentação industrializada, à exceção da suplementação mineral que já conta com maior penetração, tanto nas criações extensivas, como nos sistemas híbridos e de confinamento, muito embora a quantidade vendida ainda represente 1/3 do potencial calculado.

No caso dos lácteos, a cadeia de distribuição demonstrou mais cautela e não acumulou estoques de leite e derivados, em resposta ao enfraquecimento da demanda. O custo para produzir leite seguiu em alta, por conta do aumento da energia elétrica, combustíveis, fertilizantes e outros insumos cotados em dólar. A diminuição do preço do leite pago aos produtores corroeu as margens de lucro e forçou muitos deles a secar as vacas com antecedência para redução dos custos e melhorar a produtividade. Além disso, fatores climáticos sazonais (estiagem, baixa temperatura e luminosidade) também contribuíram para o enxugamento da produção que abateu a produção estimada de rações para gado leiteiro, que somou 5,3 milhões de toneladas, um retrocesso de quase 2%.

Em relação à cadeia produtiva de suínos, a recuperação das exportações da carne suína e a maior procura do consumidor por causa do alto preço da carne bovina potencializaram os abates, apesar do mercado de animais vivos ter permanecido enxuto. A demanda estimada por ração, por sua vez, respondeu também ao aumento no peso de abate e somou 15,7 milhões de toneladas durante 2015.

A demanda de rações para peixes e camarões alcançou 940 mil toneladas e avançou 10%, ao longo do mesmo período. Apesar do desafio determinado pela estiagem que comprometeu diversos reservatórios, a cadeia produtiva da aquicultura foi favorecida pelo avanço no povoamento de tilápias em vários empreendimentos, da produção mais intensiva de camarões, além da mobilização de áreas de baixa salinidade, enquanto o déficit na oferta global de camarões, por causa dos problemas de sanidade na Ásia, renovou a hipotética oportunidade futura para retomada das exportações do produto brasileiro.

Finalmente, o avanço da inflação e o aumento do desemprego reduziram sobremaneira a renda do consumidor que diminuiu o consumo de itens básicos (artigos de limpeza e higiene, bebidas, alimentos, rações para cães e gatos, etc.) e a demanda por serviços (restaurantes, cabeleireiro, banho e tosa, etc.). Nesse período o consumo estimado de alimentos para cães e gatos recuou cerca de 2% e contabilizou pouco mais de 2,4 milhões de toneladas. Apesar do contínuo avanço do fenômeno da antropomorfização e exercício da posse responsável, o consumidor comprou com bastante moderação e visitou com menor frequência o varejo com intuito de encaixar as despesas no orçamento que ficou bem mais apertado.


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