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Alimentos orgânicos: solução ou ameaça?

O público precisa saber qual realmente é o benefício (ou problema) que este tipo de produto pode oferecer


Por Adriana Gomes - Nutricionista e uma das fundadoras da Alef, primeira empresa de assessoria nutricional para estabelecimentos comerciais do mercado.

No momento em que o governo federal incentiva o consumo dos chamados alimentos orgânicos, o público precisa saber qual realmente é o benefício (ou problema) que este tipo de produto pode oferecer.

Vendidos pela mídia como extremamente saudáveis, os produtos orgânicos ainda não possuem a certificação de um órgão governamental competente para garantir sua procedência. Dessa forma, tudo pode ser considerado como produto orgânico seguindo, principalmente, a linha que está mais preocupada com a forma como se produz do que com a qualidade do produto.

Vive-se a fase em que está sendo discutido no Ministério da Agricultura e nos segmentos envolvidos na produção orgânica, o que se pode definir e quais serão as normas para um produto ser considerado orgânico. Hoje, todo produto que não recebe agrotóxicos já ganha essa denominação. Assim, acabam passando a idéia de que são saudáveis, sem que os consumidores sejam alertados sobre a real situação desses alimentos.

A maioria das empresas de orgânicos tem pouca ou nenhuma preocupação com a saúde pública. Nada comprova cientificamente que os alimentos comercializados com a denominação de orgânicos têm a qualidade necessária para o consumo humano.

Os maiores problemas dos orgânicos estão relacionados com as folhagens. Nestas, como não existe adição de produtos químicos, costuma haver excesso de coliformes fecais - bactérias que podem causar problemas de saúde ao consumidor. Isso sem citar que, caso a pessoa que ingerir o alimento tenha alguma patologia ou se for criança, gestante ou idoso, os problemas podem ser ainda mais graves. Justamente esses mais suscetíveis às bactérias acabam sendo o público-alvo das campanhas de incentivo ao consumo dos orgânicos.

Para que o produto orgânico não faça mal à saúde, os produtores deveriam fazer análise do solo, da água e dos folhosos para controlar o numero de coliformes. Em casa, o caminho é realizar a higienização segundo as normas da vigilância sanitária: lavar folha a folha em água corrente; colocar estas folhas em recipiente com água, cloro e vinagre (para cada litro de água, deve ser acrescentada uma colher de sopa de vinagre e deixar por mais 10 minutos). Só então estará pronto para o consumo humano.

É preciso ainda ficar claro que os caminhos de produção puramente orgânica ou convencional (com o uso de insumos químicos), apresentam falhas e problemas comuns a tudo o que segue pólos muito extremos. O que pode ser uma grande lição para os produtores convencionais é que existem maneiras diferentes de se conseguir os resultados desejados no controle de pragas e doenças. Já para os produtores orgânicos fica a possibilidade de manejo racional oferecido pelos novos produtos, onde o foco de controle é bem definido, reduzindo o impacto ambiental e possibilitando uma resposta eficiente aos desafios de produção em escala.

O foco é o equilíbrio. Afinal, todos os processos possuem falhas. O importante é que o consumidor conheça-as e saiba se precaver de qualquer tipo de situação, seja com os orgânicos ou com qualquer outro produto. E que ele não seja enganado por falsas promessas de benefícios, pois é a sua saúde que está em jogo.

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