Ameaça: estudo indica limites de colapso na Floresta Amazônica
Recente artigo, publicado na revista Nature, traz evidências existentes sobre cinco principais motores de estresse hídrico nas florestas Amazônicas
Foto: Pixabay
Por Gabriel Rodrigues, meteorologista do Agrotempo do Portal Agrolink
A Floresta Amazônica, um reduto de biodiversidade e vitalidade ecológica por mais de 65 milhões de anos, atualmente enfrenta uma ameaça sem precedentes. O equilíbrio delicado que sustentou a resiliência deste ecossistema está sendo desafiado por temperaturas crescentes, secas extremas, desmatamento e incêndios - ameaças que se estendem até mesmo às áreas mais remotas e centrais da Amazônia. A possibilidade de que o sistema florestal amazônico possa em breve alcançar um ponto de “não retorno”, induzindo um colapso em grande escala.
Um recente artigo, publicado na renomada revista Nature, traz evidências existentes sobre cinco principais motores de estresse hídrico nas florestas Amazônicas, além dos potenciais limites críticos desses motores que, se ultrapassados, poderiam desencadear um colapso florestal local, regional ou mesmo em toda a extensão do bioma.
A análise revela que, até 2050, entre 10% a 47% das florestas amazônicas poderão estar expostas a perturbações compostas que podem desencadear transições ecossistêmicas inesperadas e potencialmente exacerbar as mudanças climáticas regionais.
Estratégias para Prevenir o Colapso
Para evitar esse cenário catastrófico, o estudo destaca a importância de ações coordenadas tanto no nível local quanto global. Localmente, é essencial acabar com o desmatamento e a degradação, além de expandir a restauração em áreas degradadas. Globalmente, deve-se parar as emissões de gases de efeito estufa para mitigar os efeitos das mudanças climáticas na região.
Os Cinco Motores Críticos do Estresse Hídrico
Aquecimento Global: Um limite crítico de aquecimento global de 2°C (com uma faixa de 2 a 6°C) foi identificado, com um limite seguro sugerido de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Este motor destaca a influência direta das mudanças climáticas globais, intensificadas pelas emissões de gases de efeito estufa, incluindo aquelas resultantes do desmatamento.
Precipitação Anual: O estudo aponta um limite crítico de precipitação anual entre 1000 mm e 1250 mm, com 1800 mm sendo considerado um limite seguro para manter a resiliência da floresta. Isso enfatiza a importância da quantidade de chuva recebida pela floresta para evitar o estresse hídrico e manter a saúde do ecossistema.
Sazonalidade da Chuva: A intensidade da sazonalidade da chuva, indicada pelo déficit cumulativo máximo de água (MCWD), tem um limite crítico de -450 mm (com uma faixa de -400 a -500 mm), e um limite seguro sugerido de -350 mm. Este fator ressalta como a distribuição da precipitação ao longo do ano afeta a disponibilidade de água para as árvores.
Duração da Estação Seca: Um período mais longo da estação seca, com um limite crítico de 8 meses (7,5 a 8,5 meses) e um limite seguro de 5 meses, indica que períodos prolongados sem chuva aumentam significativamente o risco de estresse hídrico para a floresta.
Desmatamento Acumulado: O estudo identifica um limite crítico de 20% de área desmatada (com uma faixa de 20 a 50%) e um limite seguro de 10% de desmatamento. Isso destaca o impacto direto da perda de cobertura florestal sobre o ciclo hidrológico e a capacidade da floresta de manter sua resiliência.