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Anvisa interdita três marcas de leite

A Anvisa determinou a interdição cautelar de três lotes de leite das marcas Leite Leo, Nutrisim (ambos em pó) e do leite integral Elegê, por desvios de qualidade nas amostras


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a interdição cautelar de três lotes de leite das marcas Leite Leo, Nutrisim (ambos em pó) e do leite integral Elegê, por desvios de qualidade nas amostras. Os estoques de lotes interditados não podem ser comercializados nem devem estar acessíveis à população nos pontos de venda. A decisão da Anvisa é baseada em laudos de análise da Fundação Ezequiel Dias (Funed), a partir de coletas realizadas em cidades mineiras. As empresas envolvidas têm dez dias para apresentar contraprova às análises feitas pela Funed. Caso confirmadas as irregularidades, elas estarão sujeitas às sanções legais, inclusive multa que pode chegar a R$ 1,5 milhão.

 
Os laudos da Funed detectaram irregularidades relativas a ensaios de acidez em ácido láctico, proteína, gordura, açúcar e na análise de rotulagem. Além disso, em alguns casos, foi detectada a presença de enterotoxinas estafilocócicas, que podem causar intoxicação alimentar. Não há nesses casos, de acordo com a assessoria de comunicação da Anvisa, nenhuma ligação com a operação Ouro Branco, da Polícia Federal, que revelou fraude econômica do leite, por meio da adição de soro e soda cáustica para aumentar o seu volume.
 
As informações sobre o lote e o prazo de validade do leite constam do rótulo do produto. Foram interditados os lotes 202310 do Leite Leo e 33F1 do Nutrisim, além do M5 da marca Elegê. Segundo a gerente da Vigilância Sanitária de Alimentos de Minas Gerais, Cláudia Parma Machado, a presença da toxina representa um risco à saúde, mas a pessoa que ingerir o produto pode ou não adoecer. "Os sintomas da intoxicação, como vômito e diarréia, em geral aparecem em curto espaço de tempo, cerca de quatro horas após a ingestão. Nesse caso, o consumidor deve procurar a vigilância sanitária da sua cidade para fazer a denúncia”, orienta.
 
Com base na interdição da agência, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, enviou comunicado a todo o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) para que seja verificado se os lotes foram realmente retirados do mercado. A Associação Mineira de Supermercados (Amis) informou que já está orientando todos os seus associados a retirarem os lotes das gôndolas, caso os tenham nas lojas.

 
Para os consumidores que adquiriram esses produtos, a orientação do DPDC é que procurem as Vigilâncias Sanitárias Estaduais e os Procons de sua localidade para buscar a devida reparação. Procurada pela reportagem, a marca Elegê, que pertence à Perdigão, informou que a Avipal Nordeste S/A, responsável pelo beneficiamento do produto, garante que o leite interditado não apresenta problemas de contaminação microbiológica ou de qualquer outra natureza.
 
"A medida cautelar de interdição baseou-se exclusivamente em análise preliminar realizada pelo Lacen/MG (Funed). Tão logo foi notificada deste resultado, a Avipal Nordeste apresentou defesa desqualificando tecnicamente a metodologia analítica utilizada pela Funed, uma vez que não há consonância com aquelas preconizadas e exigidas pelo Ministério da Agricultura, e solicitou a realização de contraprova. A análise de contraprova foi realizada no próprio Lacen, com a presença de técnico especialista indicado pela Avipal Nordeste e podemos afirmar que os resultados apresentados, embora ainda não tenham sido publicados pela agência reguladora, atestam que o produto em questão não oferece risco ao consumo”, informou a empresa, em nota. Os porta-vozes das marcas Leite Leo e Nutrisim não foram localizados para comentar o assunto.

Fraude está sendo investigada

Em maio passado, sete meses depois da Operação Ouro Branco, quando foi desmontado o esquema de leite "batizado" com soda cáustica em Minas, parte dos responsáveis pela fraude foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) de Uberlândia. Dezoito pessoas ligadas à Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Copervale), com sede em Uberaba, podem ser condenadas por crime contra a saúde pública e formação de quadrilha. A Copervale é uma das duas envolvidas no esquema. A outra é a Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), sediada em Passos, no Sul do Estado, onde as investigações ainda não terminaram.

 
Segundo a denúncia, a fraude vinha ocorrendo há aproximadamente dois anos. O leite era coletado junto aos produtores rurais e, durante o beneficiamento, recebia adição de uma solução química, composta por soda cáustica, ácido cítrico, citrato de sódio, sal, açúcar e água. A mistura servia para aumentar o volume e o prazo de validade. Ainda de acordo com o documento, a fórmula química era adicionada ao leite cru na proporção de 8% a 10% e permitia, além do aumento da validade, diminuir a acidez e manter a densidade e ponto de congelamento, testados pelos órgãos de fiscalização. Segundo os depoimentos prestados no curso do inquérito, a cooperativa beneficiava por dia 120 mil litros de leite, mas a fraude era realizada somente no leite longa vida integral.
 
Na semana passada, o Ministério da Justiça, em parceria com o Ministério da Agricultura e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), lançou o Centro Integrado de Monitoramento e Qualidade do Leite (www.cquali.gov.br). No site, o cidadão poderá encontrar os resultados das ações de fiscalização conjuntas entre o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, Ministério da Agricultura e Anvisa, esclarecimentos acerca da importância do leite, direitos do consumidor e outras informações relevantes para a sociedade.
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