Aproveitamento de bezerros machos de raça leiteira para corte
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PECUÁRIA

Aproveitamento de bezerros machos de raça leiteira para corte

A engorda dos machos é uma das opções para o produtor ter renda extra
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A criação de bezerros pode ser desafiadora até mesmo para profissionais já experientes. Uma das principais dúvidas está atrelada ao aproveitamento do bezerro macho de raça leiteira para corte, já que, de modo geral, não tem utilidade. “Muitas vezes, esses animais acabam sendo descartados ou até mesmo doados. Portanto, aproveitar o bezerro macho para engordar e produzir carne é uma maneira de gerar renda por meio de um animal que, a princípio, não seria interessante do ponto de vista econômico”, afirma o zootecnista, mestre em Produção Animal e gerente de Nutrição Ruminantes da Vaccinar, Fabiano Bueno.

Segundo Bueno, o bezerro que nasce nas propriedades leiteiras pode produzir carne de forma precoce, macia e de qualidade. “Na Europa, por exemplo, quase todos os bezerros machos que nascem no cenário da produção de leite são destinados ao corte”, complementa.

O assessor técnico de nutrição da Vaccinar, Leonardo Egawa, frisa que esse aproveitamento é fundamental, considerando que a atividade leiteira está em mais de 90% dos municípios brasileiros, resultando em um rebanho que supera a marca de 20 milhões de vacas em ordenha. “Se 50% das crias são bezerros machos, por que não aproveitá-los? De forma eficiente e controlada, pode render bons resultados na produção de corte”, ressalta Egawa.

Programa Accelera bezerro de origem leiteira -  

Com ampla experiência clínica em rebanho dos cooperados, reprodução, cirurgia e nutrição tanto de leite quanto de corte, o médico-veterinário da Capal, Maurício Bérgamo, comenta a viabilidade do programa. “Iniciamos um trabalho com dois cooperados. Um deles tinha alta mortalidade de bezerros e o outro engordava os machos no sistema normal. Os resultados foram ótimos. Conseguimos abater os bezerros com 14 meses pesando 15 arrobas. A partir daí outros cooperados aderiram com números variados de animais”, conta.

Segundo Bérgamo, ele propôs a um dos cooperados analisar o ganho de peso, o consumo da dieta e a avaliação financeira do rebanho para ter dados concretos. “Iniciamos em setembro de 2019 com 12 bezerros de idades diferentes, onde mensuramos o consumo médio e ganho de peso a cada 30 dias. Atualmente são 23 produtores e mais de 250 bezerros em diferentes manejos com bom desempenho, sem sacrificar o animal assim que nasce, que é o maior objetivo do programa, e gerando uma renda extra para o produtor de leite”, afirma.

Maurício conta ainda que eles têm diferentes objetivos nas propriedades que aceitaram fazer a cria dos machos leiteiros. “Umas levando até o abate, outras vendendo após o desmame com 120 quilos e, ainda, alguns vendendo aos oito meses para produtores de corte fazer a recria e a terminação”, detalha.

As principais vantagens do Programa são:

  • Não sacrificar o macho leiteiro quando nasce;
  • Não descartá-lo por preços irrisórios;
  • Diminuir a mortalidade pós-desmame;
  • Abater aos 12 a 13 meses de idade;
  • Bom desempenho em ganho de peso e rendimento de carcaça qualidade da carne com boa aceitação do consumidor;
  • Rentabilidade financeira extra para o produtor de leite.

“Os resultados financeiros da engorda dos bezerros leiteiros estão relacionados ao preço do milho, e, ainda assim, nossos clientes obtém retornos próximos ao de um confinamento de boi convencional, que ficam em torno de 2,5% a 4,0% ao mês. Sendo que tivemos produtores que obtiveram resultados bem acima desses números”, afirma Leonardo Egawa.

Outro benefício de aproveitar o bezerro macho para corte, segundo Fabiano Bueno, é obter uma diluição no custo de produção da fazenda. “Somente nesse cálculo é possível contabilizar, entre outros pontos, a dose de sêmen utilizada para emprenhar a vaca e a alimentação que a vaca consumiu durante o período de gestação. Ou seja, quando o produtor se prepara para engordar esse bezerro macho e vendê-lo para o corte, ele poderá alcançar um aumento de renda, além de promover a diminuição do custo fixo”, finaliza.


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