Área plantada com grãos deverá aumentar nos Estados Unidos
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Agronegócio

Área plantada com grãos deverá aumentar nos Estados Unidos

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Foi apenas um sinal, mas, para quem trabalha com commodities agrícolas, começou ontem (31-03) a safra 2004/05 de grãos, com a divulgação do primeiro relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) sobre a intenção de plantio dos americanos para o próximo ciclo.

Os números vieram mais ou menos dentro do esperado, com a previsão de aumento de 2,7% da área de soja em relação a 2003/04, uma alta menor, de 0,6%, para o milho, queda de 3,6% para o trigo e alta de quase 7% para o algodão. Dessas variações, a que mais surpreendeu foi a do algodão, e por isso as cotações do produto despencaram em Nova York. As da soja também tombaram, as do trigo idem e as do milho subiram. As cotações também foram influenciadas pela divulgação de outro relatório do USDA, este referente aos estoques dos EUA.

Para a soja, o órgão prevê área plantada de 30,5 milhões de hectares, a maior da história, o que poderá elevar a produção do país para entre 76 milhões e 78 milhões de toneladas, levando-se em conta uma produtividade pouco superior a 2,5 t/ha. Em 2003/04, marcada por quebra climática, a colheita rendeu 65,8 milhões.

"Ainda há muita coisa indefinida, e normalmente nesta época do ano as estimativas do USDA são otimistas", afirma Renato Sayeg, da Tetras Corretora. Era consenso entre especialistas que a área de soja cresceria nos EUA, em razão do elevado nível de preços em Chicago. "Quanto mais perto a safra americana chegar das 80 milhões de toneladas, mais longe os preços tendem a ficar do patamar de US$ 10 por bushel em Chicago", diz Fernando Muraro, da Agência Rural. A barreira dos US$ 10 foi quebrada recentemente, pela quarta vez em 30 anos.

Alguns analistas crêem que é de se esperar um recuo das cotações para entre US$ 7,50 e US$ 8,50 no fim deste ano em razão da pressão do maior plantio nos EUA e da indefinição que ainda perdurará sobre o tamanho da produção sul-americana em 2004/05. Ainda assim é um nível remunerador, lembram. Ontem, julho recuou 13 cents em Chicago, para US$ 9,95, também influenciados pelos menores estoques nos EUA em 15 anos.

Com o aumento estimado para a soja, a projeção para o milho ficou praticamente estável em 32 milhões hectares, 108,5 mil hectares acima de 2003/04. Para Leonardo Sologuren, da Céleres, foi um número neutro para o mercado, num dia em que a divulgação dos estoques americanos do primeiro trimestre teve grande repercussão. O USDA os estimou em 132 milhões de toneladas, uma queda de 67,3 milhões sobre o trimestre anterior. "Eles estão em queda num momento em que as exportações americanas estão aquecidas", afirma Sologuren. Os estoques menores fizeram julho fechar com alta de 8,25 cents em Chicago, a US$ 3,255 por bushel.

Sologuren diz que o potencial exportador da China também é menor por conta da maior demanda doméstica e recuo na produção do país. Isso aquece a demanda por milho americano. Em 2002/03, os EUA exportaram 40 milhões de toneladas. A projeção para 2003/04 é de 50 milhões. Outro fator de suporte são as projeções que apontam, para 2003/04, os menores estoques finais nos EUA desde 96/97.

Para o analista, os preços sustentados estimulam as exportações brasileiras, que, segundo o Ministério da Agricultura, até o dia 25 de março somaram 1,9 milhão de toneladas, ante 374,8 mil em igual período de 2003.

Quem perdeu com os previstos aumentos da área de soja e manutenção no caso do milho foi o trigo. O USDA previu um recuo de 4% para 2004/05, para 24,1 milhões de hectares. Apesar do declínio, os números foram considerados neutros porque estavam dentro das expectativas, segundo um operador que atua no Brasil. Parte da área perdida de trigo foi para a soja, mas não toda, porque também surgiram áreas novas de soja. Os estoques trimestrais ficaram 3 milhões de toneladas acima do ano passado, em 28 milhões de toneladas. Os números pressionaram Chicago, e julho fechou em baixa de 4,5 cents a US$ 4,1575 por bushel. Para Aldo Carneiro Lobo, da Safras & Mercado, o aumento nos estoques teve impacto maior.

No caso do algodão a previsão de área 7% maior nos EUA (5,7 milhões de hectares), derrubou os contratos de julho em Nova York. Os papéis caíram 300 pontos, para 63,90 cents por libra-peso. Segundo Marco Antônio Aluísio, da Esteve, o aumento foi exagerado e poderá ser revisto no futuro.


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