Argentina amplia exportações de soja apesar de menor safra
O desempenho argentino foi favorecido pelos desdobramentos da disputa comercial
O desempenho argentino foi favorecido pelos desdobramentos da disputa comercial - Foto: Divulgação
A Argentina deve registrar um avanço relevante nas exportações de soja neste ano, impulsionada pelo cenário do comércio internacional e pela reorganização das compras globais. O país deverá embarcar 8,2 milhões de toneladas do grão, volume 5% superior ao do ano anterior e o maior desde a safra 2019-20, segundo dados do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
O desempenho argentino foi favorecido pelos desdobramentos da disputa comercial entre Estados Unidos e China, período em que os chineses redirecionaram grande parte de suas aquisições para Brasil e Argentina. Mesmo com o recente acordo entre China e Estados Unidos para a retomada do comércio agrícola, que prevê a importação de volumes crescentes de soja americana, as exportações argentinas seguem condicionadas principalmente à dinâmica entre essas duas potências, mais do que a fatores internos de produção ou mercado.
A produção de soja da Argentina para a temporada 2025-26 é estimada em 47,5 milhões de toneladas, abaixo da safra anterior, mas ainda acima da média dos últimos cinco anos. Na temporada 2024-25, a colheita alcançou cerca de 50,5 milhões de toneladas. A redução projetada está associada tanto a atrasos no plantio provocados por excesso de chuvas quanto às decisões dos produtores, que demonstram intenção de ampliar a área destinada ao milho em relação à soja.
Mesmo com a recente redução de dois pontos percentuais nos impostos de exportação, que passaram para 24%, a avaliação é de que o impacto sobre o plantio de soja seja limitado. O entendimento do setor é que cortes mais profundos seriam necessários para estimular uma expansão significativa da área, já que os tributos continuam pesando fortemente sobre a rentabilidade dos produtores.