Atraso do Plano Safra leva produtores do MT a iniciar a venda antecipada
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Agronegócio

Atraso do Plano Safra leva produtores do MT a iniciar a venda antecipada

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A demora no anúncio do Plano Safra 2004/05, pelo governo federal, está levando produtores mato-grossenses a iniciar a venda antecipada da produção. Especificamente para o Estado, onde o plantio da próxima safra começa em setembro, a disponibilização dos recursos somente a partir de agosto, reforça a manutenção de outro recorde nacional: o Estado com maior número de contratos antecipados.

Há três semanas, pelo menos 5% dos produtores já haviam aderido a esta "modalidade de crédito". Enquanto a média nacional é de comprometimento de 45% da produção a ser plantada, em Mato Grosso, os índices chegam a 65%. Em Sapezal (460 quilômetros de Cuiabá), por exemplo, os contratos antecipados somam 70% da safra local.

O Plano Safra deverá ser anunciado entre os dias 15 e 16 de junho, por enquanto especula-se em Brasília, a liberação de cerca de R$ 50 bilhões. Outro ponto a ser definido, com o Ministério da Fazenda, é com relação aos limites e volumes de crédito para cada cultura. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) pede R$ 56,2 bilhões.

Após a divulgação, a matéria é encaminha ao Conselho Monetário Nacional para a disponibilização dos recursos às instituições bancárias, o que leva mais ou menos duas semanas.

Até que os bancos administrem a operacionalização, e que sejam renovados limites de cada produtor, o volume deverá estar de fato liberado somente a partir de agosto.

"Para os produtores estaduais, em especial, é uma época ruim, pois em agosto e setembro o setor de insumos registra os maiores preços, em função do crescimento da demanda. A única alternativa para o produtor fugir deste período de ´ágio´ é via traders, com a venda antecipada, pois a cultura da soja tem plantio já em setembro", explica a superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rosimeire Cristina dos Santos.

A superintendente destaca que os recursos a serem liberados "são sempre insuficientes e chegam tardiamente. Um círculo vicioso que a agricultura comercial enfrenta a cada safra. E por tudo é que se explica a preferência do produtor pela soja, pois é a cultura utilizada para a realização de contratos futuros", reforça Rosimeire.

Em fevereiro, durante a realização de um workshop promovido pelo Ministério da Agricultura, em Cuiabá, a Famato apresentou um levantamento da demanda estadual a cada safra. São necessários em Mato Grosso cerca de R$ 12 bilhões, somente para cultura da soja são aplicados R$ 7,2 bilhões. O Estado, que deverá colher 21 milhões de toneladas de grãos, será responsável por 17% da produção nacional e 51% do total produzido no Centro-Oeste.


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