Ausência da Kepler na Agrishow abre espaço a concorrentes
O motivo da ausência da empresa noevento seria as dificuldades financeiras
Pela primeira vez, a Kepler Weber, líder no mercado de equipamentos para armazenagem, não expôs seus produtos na feira da Agrishow Ribeirão Preto. Como já é conhecido do mercado, a empresa está com dificuldades financeiras, motivo que inviabilizou sua participação no evento, segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Implementos (Abimaq), organizadora da Agrishow. A ausência da Kepler, que detinha 50% do mercado brasileiro, trouxe boas perspectivas de negócios aos concorrentes, que disputam a lacuna deixada pela líder.
A Kepler foi procurada pela reportagem, mas não quis se pronunciar. Fontes do mercado estimam que esteja operando com 5% da capacidade instalada, somente para atender contratos firmados no ano passado. Estima-se que ao final de 2006, a empresa tenha consolidado prejuízo de R$ 290 milhões. "O problema é que crise da agricultura coincidiu com o momento em que a empresa deveria começar a ter o retorno do investimento na moderna fábrica de Campo Grande", relata Newton Mello, presidente da Abimaq. A Kepler investiu cerca de R$ 100 milhões para implantar em Mato Grosso do Sul unidade com capacidade para processar 5 mil toneladas de aço por mês.Os principais clientes da Kepler Weber estavam nas regiões Sul e Centro-Oeste, com movimento anual de R$ 110 milhões, segundo estimativas do mercado.
Esse vazio, aliado à perspectiva de retomada da renda do produtor, sobretudo de soja que representa 70% das vendas de armazenagem do Brasil, faz com que as concorrentes vislumbrem ampliação de negócios.
A Casp, por exemplo, vai ampliar em 50% o processamento em sua unidade de Rondonópolis (MT), que há três anos está em operação com capacidade instalada de 100 toneladas de aço por mês. "Nosso foco, neste momento, é reforçar a atuação no Centro-Oeste, que era um dos maiores mercados da Kepler. A intenção é abocanhar 33% da demanda dessa região", diz Jader Picanço Ribeiro, executivo da divisão de armazenagem da Casp.
E os resultados do cenário mais favorável para empresa já estão surgindo este ano. Em Mato Grosso, a Casp movimentou armazenagem para 140 mil toneladas no trimestre, principalmente para empresas do ramo de defensivos agrícolas e grandes produtores, segundo Ribeiro. "Em um ano inteiro, não fazíamos nem metade desse volume no Estado", completa. Na Agrishow, a empresa espera faturar R$ 20 milhões em negócios, ante os 6 milhões em 2006 para todo o setor.
Com esse impulso, a Casp quer ainda aumentar a participação dos 20% registrados nos últimos dois anos para 30%. A empresa também fabrica equipamentos para avicultura, suinocultura e incubação.