Avanços reforçam transição para insumos sustentáveis
O artigo também aborda inovações voltadas à indústria de alimentos
O autor contextualiza o debate internacional sobre o tema a partir das conclusões da COP29 - Foto: Canva
A substituição de matérias-primas fósseis por alternativas renováveis vem ganhando espaço como resposta aos desafios climáticos e à necessidade de uma produção industrial mais sustentável. O tema é abordado em artigo de Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa, membro do Conselho Científico Agro Sustentável e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica.
O texto parte do reconhecimento de que carvão, petróleo e gás seguem como os maiores emissores de gases de efeito estufa, utilizados não apenas como combustíveis, mas também como base da indústria química. Diante desse cenário, a pesquisa científica tem buscado, há décadas, substituir essas fontes por insumos oriundos da agricultura, especialmente para produtos de maior valor agregado ou de difícil obtenção pela petroquímica tradicional.
O autor contextualiza o debate internacional sobre o tema a partir das conclusões da COP29, realizada em Baku, que reforçou a necessidade de transição para fontes renováveis de energia e de matérias-primas voltadas à chamada química verde. Esse movimento tem estimulado avanços recentes no mercado, com destaque para tecnologias baseadas em processos biológicos.
Entre os exemplos citados estão métodos de síntese microbiana capazes de degradar polietileno, abrindo possibilidades para a produção de biocombustíveis, fertilizantes e outros produtos químicos, com redução da poluição plástica. Avanços genéticos em plantas, como o estudo sobre o gene ENOD93, indicam ganhos na eficiência de uso do nitrogênio, enquanto novos materiais proteicos condutores de prótons ampliam aplicações em energia renovável e bioeletrônica.
O artigo também aborda inovações voltadas à indústria de alimentos, têxtil e de biocompósitos, incluindo estratégias de regulação gênica, desenvolvimento de fibras vegetais menos sensíveis à umidade e o uso de hidrofobinas para alterar propriedades de superfície de materiais vegetais. Para o autor, esses exemplos evidenciam que o desenvolvimento sustentável e a geração de oportunidades dependem diretamente de investimentos contínuos e robustos em pesquisa e desenvolvimento.