Aviação agrícola X Coronavírus
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Imagem: Pixabay
CORONAVÍRUS

Aviação agrícola X Coronavírus

Aviação Agrícola brasileira tem condições legais, técnicas e operacionais para ser mais uma ferramenta na desinfecção de áreas urbanas contaminas pelo Covid-19
Por:

Dr. Marcos Vilela Monteiro[1]

O Portal Agrolink conversou com o Dr Marcos Vilela Monteiro, Engenheiro Agrônomo com 60 anos de experiência internacional em pulverização. Questionado sobre a emergência de saúde atual, afirmou que Aviação Agrícola brasileira tem condições legais, técnicas e operacionais para ser mais uma ferramenta na desinfecção de áreas urbanas, com eficiência, rapidez incomparável e baixo custo.

Atualmente Dr Vilela treina e gerencia projetos, que envolve aviação agrícola e toda a logística necessária de lavouras especialistas como café e cana, além de áreas extensivas como soja. Profissionais e pilotos de grandes grupos do setor são treinados por ele. Informa que conhece e experiências técnicas, operacionais, e tripulações estão disponíveis para um projeto de grande alcance.

O engenheiro agrônomo  se coloca à disposição do governo e da sociedade, uma alternativa veloz de sanidade ambiental, começaria realizando testes pontuais objetivando muitas localidades inacessíveis a tratamentos terrestres. 

O especialista está detalhando o projeto e provavelmente poderá ter contribuição  de profissionais  para o projeto em questão, mesmo que com prováveis muitos “nãos” no horizonte.

Dr Vilela poderá receber contribuições cientifícas em seu projeto emergencial em evolução, através do Portal Agrolink. Nesta etapa ao lado de outras ações, analisa o alvo: o impiedoso esporo Covid 19.

O alvo por definição é o esporo em si ou o microambiente onde ele nasce e se movimenta. “No nosso caso, pela sua pequena dimensão o esporo é muito difícil de ser atingido na aplicação em si, mas com o uso das técnicas avançadas de aplicação aérea como é realizado nas aplicações agrícolas, podemos colocar um desinfetante no micro ambiente onde ele chega e se movimenta levado pelos agentes naturais (orvalho, chuva, vento, aves, insetos, pólens, poeira, veículos e outros) que também movimentam os desinfetantes”, ressalta Vilela.

Conforme o especialista “Um esporo têm em média 125 nanômetros.  Um milímetro tem 1.000.000 de nanômetros. Para preencher um milímetro linear precisamos de 8.000 esporos. Um milímetro quadrado de qualquer superfície pode conter 64.000.000 (sessenta e quatro milhões) de esporos”

Os princípios ativos usados na desinfecção de ambientes para o controle de fungos, bactérias e vírus são a base de Cloro e em geral derivados do Quaternário de Amoneo ou do Hipoclorito. São produtos de uso cotidiano dissolvidos em água em baixas dosagens para lavagem de roupas e desinfecção geral inclusive de água potável, em dosagens muito baixas - praticamente uso doméstico.

Ouvimos os advogados, empresários especialistas em pulverização, Marco Antonio e João Gabriel Camargo, que examinaram em detalhes a Norma Técnica 75/2007 do Ministério da Saúde, que permite a pulverização de inseticidas em áreas urbanas com aviões em situações específicas como no caso de grandes surtos das doenças. Os especialistas entendem que a Lei 13.301 de junho de 2016 autoriza as aplicações aéreas de inseticidas em áreas urbanas mediante aprovação do Ministério da Saúde. Há restrições no aspecto ambiental e espaço aéreo, nesta etapa vale ressaltar a importância do projeto do Dr Marcos. Observado estas restrições relevantes.

De fato, o tratamento é inóquo ao ser humano, pois é o mesmo produto utilizado para saneamento doméstico. Não há uso do inseticida. Aliás, é uma oportunidade para reconhecer uma classe de profissionais que opera em alto risco, e que com treinamentos especialmente para este propósito,  e que mais uma vez, trarão enorme contribuição para a sanidade urbana.

Nos aviões agrícolas, as neblinas a serem produzidas devem ser mais concentradas e ter gotas mais finas que as convencionais para aumentar sua densidade sobre as superfícies atingidas e a sua penetração em todos os ambientes. 

Os esporos se multiplicam e dispersam em quantidades gigantescas, mas as moléculas com o princípio ativo dentro do liquido pulverizado, também ocorrem em quantidades gigantescas devido ao seu tamanho também muito pequeno. 

Um nanômetro tem 10 angstrons. O nossoalvo tem 125 nanômetros ou 1.250 angstrons e as moléculas de água que carregam os princípios ativos têm 27,5 angstrons sendo 45,45 vezes menores que os esporos. Isto significa que em um milímetro linear onde cabem 8.000 esporos de Coronavírus cabem 363.600 moléculas de água ligadas aos princípios ativos que matam os vírus.

A relação de mortalidade entre os vírus e os princípios ativos é molecular, ou seja, qualquer quantidade de agua contendo produto ativo que atingir o esporo será suficiente para mata-lo não importa a concentração do produto nesta água. 

É importante realizar uma aplicação rápida e com a melhor distribuição possível, no ambiente que se quer proteger com uma neblina solúvel em água e com baixo nível de evaporação para aumentar a duração dos princípios ativos. Bem distribuído pelo avião, os princípios ativos serão redistribuídos pelos mecanismos naturais em particular pelo orvalho noturno que deposita nas folhas volumes de água superiores a 1.000 litros por hectare a cada noite.

O Portal Agrolink manterá a publicação de aspectos técnicos desta proposta de trabalho.

[1]Engenheiro Agrônomo, Doutor em Agronomia pela ESALQ-USP. Piloto Agrícola e Diretor do Centro Brasileiro de Bioaeronáutica. Tem uma experiência internacional de 60 anos em Pesquisa, Treinamento e Operação em Aviação Agrícola. e-mail: marcosvilela@bioaeronautica.com.br


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