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Bahia precisa de mais armazéns

Ainda é muito pequeno o número de produtores e empresas cadastrados pelo governo


O oeste da Bahia é uma das regiões com maior concentração de armazéns de grãos do Estado. Os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimam um total de 430 armazéns na região. As práticas de estocagem são realizadas por empresas privadas, cooperativas e produtores. São utilizados grandes armazéns ou silos, locais apropriados para depositar os grãos em condições adequadas para não sofrer danos ou perdas futuras, a fim de serem processados ao longo do ano. Na região, ainda é muito pequeno o número de produtores e empresas cadastrados pelo governo.


Para Otacil Ranzi, produtor que trabalha com soja, milho e café a mais de 20 anos na região, o número de armazéns nas fazendas ainda é bem pequeno. Cerca de 20% a 30% da produção nas fazendas é estocado, o que não permite maior ganho nas vendas no pós-colheita. “A região é carente de armazéns: precisa ampliar para atender a demanda da produção, pois os melhores preços dos grãos são alcançados nos meses de outubro, novembro e dezembro, no semestre depois da colheita”.

Ranzi conseguiu ter um ganho de 67% no ano passado no período pós-colheita, e reconhece a prática de estocagem como grande vantagem para os consumidores que podem atingir um ganho de 30% a 50%. De tudo que produziu este ano, Ranzi irá estocar 250 mil sacas de soja. Além dos armazéns que possui, estoca em cooperativas da região.

Capacidade – Segundo o secretário de agricultura e desenvolvimento de Luís Eduardo Magalhães, Eduardo Yamashita, não há um número exato de quanto é armazenado hoje na região. Somando a produção de grandes empresas, como a Cargill, Bunge, cooperativas e tradings, o total é estimado em cerca de 60% em culturas como soja e milho. Para Yamashita o potencial da região é enorme, e este percentual aponta que há uma demanda reprimida na produção.

Na opinião do presidente da Associação Baiana do Produtores de Algodão (Abapa), João Carlos Jacobsen, 80 % dos produtores do oeste não tem silos em suas fazendas. A armazenagem é feita pela empresa compradora, um caminho que acaba depreciando os preços e os produtores acabam sendo afetados nas vendas. “Depois que os protutores passam para as empresas compradoras os grãos para armazenagem, não há como comprar de volta para tentar recuperar, por que não compensa”, ressalta.


Jacobsen diz que, além do frete no período da colheita que os produtores pagam, a soja é colhida e transportada rapidamente nas indústrias.

Uma linha de crédito do governo mais atrativa, com juros mais baixos seria uma alternativa, pondera Jacobsen, porque as existentes hoje não são procuradas pelos produtores, pois vêem como mais importante o investimento em infra-estrutura para reduzir os custos.

Estrangeiros – O oeste tem atraído estrangeiros para novos investimentos no setor agrícola. Este ano, já foram construídos dois armazéns em Luís Fernando Magalhães, com capacidade de cerca de 130 mil toneladas de armazenamento. Os próprios produtores também estão investindo na construção de armazéns.

A reportagem não teve autorização das empresas Multigrain- que tem armazéns de algodão em Luís Eduardo Magalhães - e a australiana AWB, especializada em grãos, apar conhecer os armazéns. Além delas, as americanas Bunge e Cargill, maiores fabricantes de soja no país, não deram acesso aos armazéns.

Além das empresas privadas, a prática de armazenagem tem sido realizada pelos próprios produtores, uma vez que o número de armazéns do governo é bem pequeno. Por causa das muitas exigências de documentação por parte do governo, a maioria não teve interesse para se cadastrar.


Os produtores têm buscado alternativas, recorrendo aos silos bags, muito utilizados na região, alternativa mais econômica de armazenagem descartável. Para Eduardo Yamashita, as modalidades direcionadas pelo governo precisam melhorar, para que a capacidade de armazenagem possa aumentar.

“Precisaríamos ter alguns incentivos do governo federal, principalmente nos mecanismos de comercialização operados por meio da Conab, como compra antecipada”, frisa. Para ele, quando o setor produtivo pede renegociação de dívidas, na verdade gostaria mesmo que o governo tivesse políticas agrícolas, equalização de preços.
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