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Boas práticas e rastreabilidade elevam o amendoim brasileiro ao padrão internacional

Produção integrada e controle rigoroso de qualidade fortalecem exportações


Foto: Canva

O amendoim brasileiro tem ganhado cada vez mais espaço no mercado internacional, impulsionado pela adoção de boas práticas agrícolas, rastreabilidade e rigor no controle de qualidade. Tema do Podcast Prosa Rural desta semana, produzido pela Embrapa, a cadeia produtiva do grão se destaca pela versatilidade, pelo valor nutricional e pela crescente relevância na balança comercial do país, especialmente a partir da produção concentrada no estado de São Paulo.

Segundo o pesquisador Dartanhã José Soares, da Embrapa Algodão, as exportações de amendoim cresceram de forma consistente na última década, alcançando um recorde em 2023, com cerca de US$ 450 milhões em vendas externas e quase 300 mil toneladas embarcadas. Mesmo sem figurar entre os maiores produtores globais, o Brasil se mantém entre os principais exportadores do produto. “Essa posição é resultado do trabalho conjunto de todos os elos da cadeia, que garantem um amendoim de elevada qualidade, reconhecida inclusive pelos mercados mais exigentes, como a União Europeia”, destaca.

Apesar do bom histórico, 2024 foi um ano desafiador para o setor, marcado por condições climáticas adversas que reduziram a produção e as exportações. Em São Paulo, principal polo produtor do país, houve aumento da área plantada, mas queda significativa na produtividade, o que resultou em retração nos volumes e nos valores exportados. Para 2025, o cenário segue complexo, com estoques elevados e preços internacionais pressionados, embora a expectativa seja de recuperação gradual dos volumes embarcados.

Para garantir competitividade e segurança alimentar, a produção integrada tem papel central na cadeia do amendoim. De acordo com o pesquisador Augusto Guerreiro Costa, da Embrapa Algodão, o sistema é uma política pública do Ministério da Agricultura que combina boas práticas agrícolas e rastreabilidade desde o campo até a pós-colheita. “O objetivo é produzir alimentos de qualidade de forma sustentável, atendendo à legislação e aos limites de contaminantes, como as aflatoxinas, e de resíduos de defensivos agrícolas”, explica.

As boas práticas envolvem desde o planejamento da lavoura até a colheita. A escolha de áreas bem drenadas, o uso de sementes certificadas, a observância do zoneamento agrícola de risco climático, a correção e a adubação com base em análise de solo, além do manejo adequado de pragas e doenças, são etapas fundamentais. “Equipamentos bem calibrados, monitoramento constante e respeito às recomendações técnicas garantem produtividade, qualidade e sustentabilidade”, ressalta Dartanhã.

Outro ponto crítico é o controle das aflatoxinas, toxinas que podem comprometer a qualidade e a comercialização do amendoim. O Brasil adotou um dos sistemas mais rigorosos de amostragem e controle pós-colheita do mundo, com análises em praticamente todas as etapas do beneficiamento. Aliada à rastreabilidade — que permite identificar a origem do produto por meio do georreferenciamento das áreas e do registro detalhado de todas as etapas do processo —, essa estrutura fortalece a confiança dos mercados internacionais e consolida o amendoim brasileiro como um produto seguro, competitivo e sustentável.

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