Boi deve seguir com preço alto e abate de fêmea avança
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Agronegócio

Boi deve seguir com preço alto e abate de fêmea avança

Exploração da carne de matrizes vinha caindo desde 2007, mas subiu no ano passado, o que pode se relacionar ao começo de um novo ciclo de cotações do setor
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Exploração da carne de matrizes vinha caindo desde 2007, mas subiu no ano passado, o que pode se relacionar ao começo de um novo ciclo de cotações do setor

O valor do boi gordo deve se manter elevado durante todo este ano. A previsão é de que os preços sigam a linha de 2011, quanto atingiram um patamar superior ao dos últimos anos.

A disponibilidade dos animais no pasto está maior, segundo um consultor, mas a demanda "patina". Além disso, uma alta averiguada no abate de matrizes pode indicar o início de uma reversão no ciclo de alta do mercado, a partir de 2013.

"A demanda caiu em janeiro, sem surpresas. Mas continuou em queda em fevereiro, quando deveria se normalizar", disse o zootecnista da Scolt Consultoria, Alex Lopes da Silva. Segundo ele, os frigoríficos estão tendo dificuldades de repassar os custos de produção ao consumidor.


Quanto à oferta, "veio aumentando desde 2007. Cresceu, e as importações ficaram mais robustas", analisou o especialista. "Mas ainda é difícil falar em excesso, é precoce". O descompasso poderia fazer os preços despencarem, mas, "com os preços atuais, a atividade pecuária tem tido uma rentabilidade relativamente boa", afirmou o pesquisador do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), Sergio De Zen. Tanto que "o consumidor está reticente em relação aos preços da carne". Nesta semana, a arroba está cotada em torno de R$ 96, preço menor do que a média de 2011, mas superior às cotações mais antigas - do primeiro semestre de 2010 para trás. Para Alex, da Scot, preço e demanda estão "patinando".

"A primeira atitude do pecuarista quando o preço do boi gordo começa a patinar é botar a vaca no gancho", afirmou. O abate de fêmeas, que vinha diminuindo cerca de 2,5% ao ano desde 2007, teve uma elevação - considerada "pontual" pelo analista - entre janeiro e setembro de 2011.


No período, foram abatidos 7,4 milhões de vacas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - alta de 12% sobre os 6,6 milhões registrados no mesmo período de 2010. Já o abate de machos, na contramão, recuou 10%: de 12,3 milhões para 11,2 milhões. O peso médio das carcaças, considerando machos e fêmeas, atingiu 17,83 e 12,98 arrobas, respectivamente.

"É prematuro afirmar, mas o aumento pontual no abate de fêmeas pode indicar o início de uma virada de ciclo", observou Alex. Entende-se que o mercado de carne bovina se comporta em ciclos de alguns anos de duração, alternando fases de preços altos e fases de preços baixos.


Durante os ciclos de baixa, os descartes de matrizes aumentam para alavancar o caixa da produção. Nos de baixa, mantêm-se a um nível reduzido (geralmente, nesses períodos, abatem-se somente as vacas velhas, ou "vazias", no jargão específico).

"Possivelmente, entraremos em um novo ciclo no início de 2013", disse o analista da Scolt. Para De Zen, "o produtor pode estar vendo um preço razoável na carne de vaca e optando por engordá-la para o abate".


Mercado financeiro


O aumento na oferta de fêmeas para abate derrubou as cotações do boi gordo nos últimos três meses, segundo a Agência Estado apurou. Na BM&F Bovespa, os preços médios recuaram mais de 13% desde a segunda quinzena de novembro de 2011. Porém, apesar do cenário ser desfavorável, analistas afirmam que as cotações devem se manter.

Para o operador de mesa Élio Micheloni Jr., da Icap, além do descarte de fêmeas, outros fatores contribuíram para a queda nos preços. "Estamos em período de plena safra", diz.

A tendência de aumento na oferta produziu reflexos no mercado futuro. O volume de contratos negociados diariamente na BM&F Bovespa cresceu em fevereiro, na comparação com o mês passado. De acordo com dados da bolsa, o volume saltou de pouco mais de 400 papéis na média diária de janeiro, para mais de dois mil contratos na última semana. Micheloni explica que a movimentação acontece toda vez que há sinais de mudança.


"O mercado sempre tenta antecipar esse movimento. Isso afasta o comprador, porque ele não vê uma possibilidade de alta nesse espaço de tempo curto", aponta. Nos últimos três meses, os preços passaram de R$ 109,00 para pouco mais de R$ 96,00 a arroba. Entretanto, o consumo interno aquecido e a retomada das exportações devem sustentar o mercado em 2012. O analista da Scot Consultoria Alcides Torres afirma que o mercado será mais calmo em 2012. Com o atual cenário, ele acredita que a arroba não ficará abaixo dos R$ 90,00.

"A queda de preço desde o final de 2011 é um indicador de que o ciclo está virando. Mesmo assim, a expectativa é de que os preços caiam com suavidade", salienta.

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