Brasil debate irradiação em alimentos
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Imagem: Pixabay
AGRICULTURA

Brasil debate irradiação em alimentos

O processo destrói microorganismos, bactérias, vírus ou insetos presentes nos alimentos
Por: -Eliza Maliszewski

Você já ouviu falar em irradiação em alimentos? A técnica expõe os alimentos a quantidades intermediárias de radiação e age como se fosse uma “pasteurização” a frio que visa aumentar a vida de prateleira. A irradiação pode ser usada para destruir microrganismos causadores de doenças como fungos e bactérias, prolongar o prazo de validade dos produtos, retardar o amadurecimento e brotação, esterilizar alimentos, sem o uso de produtos químicos. 

Por exemplo, pode-se retardar a maturação e o apodrecimento de frutas como abacates e morangos em no mínimo duas semanas. Grãos podem permanecer intactos por mais de 20 anos. Não se trata de uma exposição direta do alimento à radiação e sim de expor a uma fonte de radiação, normalmente beta ou gama, vinda de um elemento radioativo por um tempo controlado. Os elementos mais usados são o cobalto 60 e o césio 137. 

Entre os principais alimentos irradiados no Brasil estão carne de porco, raízes e especiarias, frutas e hortaliças, tubérculos, arroz e farinhas. O uso dessa tecnologia foi debatido em um evento realizado pela empresa pública Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (Amazul), vinculada à Marinha do Brasil. 

O assessor da Secretaria Executiva do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), Luiz Eduardo Rangel, participou do evento e destacou que a agropecuária brasileira, considerada uma das mais tecnológicas do mundo, discute estratégias para produção a partir dessa tecnologia, ainda pouco utilizada no país.

“O Brasil é muito bem visto internacionalmente pela qualidade de seus produtos e com a técnica da irradiação temos a oportunidade de galgar esses mercados com maior competitividade, sustentabilidade baseado em políticas públicas”, disse. Hoje, o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas, mas apenas o 23º maior exportador, desempenho que pode crescer com o uso da irradiação.

A irradiação de alimentos pode ser uma importante aliada para a redução de perdas de produtos. Atualmente, o desperdício no mundo é estimado em 30% do que é produzido, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Apenas ¼ do que Estados Unidos e Europa descartam seria suficiente para alimentar as 800 milhões de pessoas que ainda passam fome no mundo. 

Segundo Rangel ainda há muito desconhecimento sobre a tecnologia, o que muitas vezes gera preconceito. Por isso, uma das ações do governo federal é traçar estratégias para melhor comunicar aos brasileiros sobre as vantagens do uso da tecnologia.

“A ampliação da viabilidade de uma tecnologia já comprovada pela ciência é fundamental, não existem empecilhos legais para o uso da técnica no Brasil, sendo um assunto pacificado ao redor do mundo. É preciso, agora, comunicar de forma estratégica essa solução para a sociedade”, declarou.

O Mapa também persegue um plano de negócios para oferecer ao mercado ações como o levantamento sobre o mercado internacional de produtos irradiados, planos de marketing e divulgação da tecnologia do irradiador multipropósito, fatores a serem considerados para a instalação e funcionamento sustentável e viabilidade do negócio com utilização prioritária em produtos agropecuários, em especial frutas e hortaliças.  

A eficiência da utilização da irradiação em alimentos é comprovada pela Embrapa, que iniciou as pesquisas com a tecnologia na década de 1980. O uso de radiação ionizante é ainda uma opção com menor impacto ambiental, já que não deixa resíduos.
Segundo dados da FAO, os alimentos irradiados mantêm suas propriedades nutricionais e organolépticas, além de não apresentarem qualquer risco toxicológico, radiológico ou microbiológico para o consumo humano.

Estados Unidos, China, índia, Japão, Reino Unido, Argentina, Chile, Peru e parte da União Europeia utilizam a irradiação em especiarias, tubérculos, grãos, frutas, carne suína, frango, pescado, frutos do mar, ervas medicinais. Mais de 60 países comercializam produtos com o uso de irradiação.  

A Amazul deverá desenvolver projeto de engenharia e realizar o dimensionamento dos equipamentos, o licenciamento radiológico e a contratação da empresa responsável pela construção, montagem e comissionamento dos equipamentos, bem como a fiscalização do empreendimento, até a entrega final ao usuário final. O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), órgão ligado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), responsável pela introdução da tecnologia no país, dará o apoio técnico ao projeto.
 


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