Brasil deve se beneficiar com alterações na matriz energética
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Agronegócio

Brasil deve se beneficiar com alterações na matriz energética

O premiê da Itália disse que a aprovação da UE para que os países do bloco passem a utilizar 20% de fontes alternativas beneficia o Brasil
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O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, disse nesta segunda-feira (26-03) que a aprovação da União Européia (UE) a uma medida que prevê que os países do bloco passem a utilizar 20% de fontes alternativas em suas matrizes energéticas colocou o Brasil, e sua tecnologia de biocombustíveis, em uma posição bastante vantajosa. Com a experiência no uso do etanol como combustível, o país certamente terá papel importante no processo de adequação dos integrantes da UE à nova lei do bloco.

"Essa decisão significa uma grande mudança na estrutura industrial de muitos países da Europa", disse Prodi, que já presidiu a Comissão Européia. "E um dos que mais serão afetados é a Itália, pois temos um nível muito baixo de utilização de formas alternativas de energia", afirmou. Isso, diz o primeiro-ministro, traz conseqüências positivas óbvias para o Brasil, que pode se tornar um grande fornecedor de produtos, como o etanol de cana-de-açúcar, e mesmo de tecnologia.

"Parece até que vocês (brasileiros) tiveram algum tipo de influência sobre os alemães (país que atualmente ocupa a presidência rotativa da UE) para que eles decidissem por esses 20%", brincou Prodi, gesticulando menos que um italiano típico, mas mais do que se esperaria de um chefe de estado.

Ele disse esperar que o contrato a ser assinado amanhã no Rio de Janeiro entre a Petrobras e a empresa estatal de petróleo italiana ENI possa permitir uma aproximação vantajosa para os dois países no campo dos biocombustíveis.

Prodi reconheceu, porém, que algumas das parcerias que seu país pretende nessa área com o Brasil, têm o objetivo de levar a produção de etanol para países africanos que, por sua vez, serviriam de plataforma de exportação para a própria Itália, em detrimento do etanol produzido por brasileiros.

Segundo ele, isso vai ocorrer porque na Itália não há espaço ou condições para a produção de cana-de-açúcar para produção de álcool. "Dessa forma as empresas italianas têm que incorporar a tecnologia brasileira atuando em outros países, principalmente na África", disse ele, informando que a primeira plataforma africana será Angola, mas que "há muitos outros países em avaliação".

O primeiro-ministro italiano ainda foi categórico em dizer que seu país vai procurar, além do etanol, outras formas alternativas de energia para cumprir o que foi determinado pela UE. "Energia solar, eólica, e outras, serão estudadas, mas é claro que atualmente a vantagem é do etanol", afirmou.


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