China amplia importação de miúdos suínos do Brasil
Protocolo amplia acesso ao mercado chinês e pode gerar mais de US$ 100 milhões
Foto: Pixabay
O mercado de miúdos suínos ganhou novas possibilidades de exportação para a China após a revisão do protocolo sanitário bilateral entre os dois países. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o acordo foi assinado neste sábado (26/9) pelo ministro André de Paula e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao.
A medida amplia o conjunto de produtos brasileiros autorizados a ingressar no mercado chinês e permite a diversificação da pauta exportadora. As empresas habilitadas deverão cumprir os requisitos sanitários e de certificação definidos pelas autoridades dos dois países.
As negociações envolveram requisitos sanitários, certificação e condições aplicáveis aos estabelecimentos brasileiros interessados em exportar os produtos. O ministro André de Paula destacou a dimensão comercial da medida. “Significa um capítulo importante na suinocultura brasileira, acesso ao mercado de mais de US$ 2,5 bilhões por ano, valorização da nossa produção e mais renda e emprego no campo e na indústria”, afirmou.
Segundo o ministro, para a China, maior produtora e consumidora de carne suína do mundo, a ampliação do acesso representa uma fonte adicional de alimentos, com a garantia do sistema sanitário brasileiro.
De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos brasileiros poderão ser destinadas ao mercado chinês com o novo acesso. O direcionamento desses produtos para um mercado de maior valor agregado pode representar incremento superior a US$ 100 milhões em receita para o setor.
A ampliação permite ainda direcionar para a China produtos que apresentam menor valor comercial em outros destinos, ampliando as possibilidades de geração de receita para a cadeia produtiva.
O anúncio ocorreu no encerramento da auditoria chinesa a frigoríficos brasileiros, iniciada no dia 20. Segundo dados, técnicos chineses visitaram estabelecimentos de produção, fazendas, abatedouros e laboratórios oficiais em seis estados. As estruturas visitadas estavam relacionadas às cadeias de carnes bovina, suína e de aves.
O embaixador Zhu Qingqiao destacou a ampliação das oportunidades comerciais. “Essa assinatura abre novas oportunidades para as exportações brasileiras ao mercado chinês. É mais um resultado concreto dos nossos esforços conjuntos e uma demonstração clara do dinamismo e vitalidade das cooperações agropecuárias entre os dois países”, afirmou.
O embaixador afirmou que os dois países consideram o agronegócio um pilar da relação bilateral e que a cooperação apresenta grande potencial. Ele também declarou que, desde 2008, a China é, há 18 anos consecutivos, o maior mercado de exportação dos produtos agrícolas e pecuários brasileiros.
Para Susan Kleebank, secretária de Ásia e Oceania do Ministério das Relações Exteriores (MRE), a ampliação do protocolo é “um exemplo da dinâmica ganha-ganha que caracteriza o relacionamento Brasil-China”.
Atualmente, alguns miúdos, como pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína, já são autorizados para exportação à China, em razão do reconhecimento sanitário concedido à região pelas autoridades chinesas em relação à febre aftosa.
Em maio de 2025 o Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como país livre de febre aftosa sem vacinação. Com a revisão do protocolo, a lista de produtos autorizados inclui músculo suíno congelado, desossado ou com osso, incluindo gordura, além de miúdos e coprodutos comestíveis congelados.
Também fazem parte da lista banha suína não refinada, composta apenas por gordura corporal, línguas, máscara, focinho, orelhas, cauda e pés suínos inteiros.
O protocolo inclui ainda pele suína, cartilagem — sem aquelas derivadas da garganta, glote ou vísceras —, estômagos, fígado, coração, rins, diafragma e ossos suínos. A China está entre os maiores mercados consumidores e importadores de produtos de origem suína do mundo.
As importações chinesas de miúdos suínos somam aproximadamente US$ 2,5 bilhões. Com o novo protocolo, aumenta o conjunto de produtos brasileiros autorizados a ingressar nesse mercado. A medida também contribui para a diversificação da pauta exportadora e aproxima a produção brasileira dos hábitos alimentares chineses. O consumo de miúdos faz parte da culinária da China e está presente no cotidiano da população, tanto em restaurantes quanto nos lares.