Brasil será a maior plataforma do Los Grobo em 11/12
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Agronegócio

Brasil será a maior plataforma do Los Grobo em 11/12

Faturamento do grupo deverá superar 1 bi de dólares em 2011/12
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SÃO PAULO (Reuters) - O grupo argentino de agribusiness Los Grobo deverá faturar mais no Brasil do que na Argentina pela primeira vez no ano comercial 2011/12, o que mostra que a estratégia da empresa de ampliar negócios em terras brasileiras vem dando certo, ao mesmo tempo em que ressalta as desvantagens geradas pelo sistema de tributação de grãos adotado pelo país vizinho.


Segundo o diretor financeiro do Los Grobo, Antonio Frias Oliva Neto, o faturamento do grupo deverá superar 1 bilhão de dólares em 2011/12 (julho/junho), contra cerca de 800 milhões de dólares no período anterior, com o Brasil respondendo por cerca de 40 por cento das vendas, contra 35 a 37 por cento da Argentina, onde a companhia surgiu em 1984.

Em 2010/11, o faturamento da unidade brasileira representou 37 por cento dos ganhos do grupo, enquanto o da Argentina foi equivalente a 44 por cento total - a empresa atua ainda no Paraguai e Uruguai.

"Em função de todo o nosso planejamento estratégico, a ideia é que o Brasil seja o vetor de crescimento do grupo. O Brasil fatalmente vai ser mais de 50 por cento (nos próximos anos) em termos de faturamento do grupo, e eu diria que em termos de rentabilidade já é mais que 50 por cento", disse Neto à Reuters.

A operação brasileira da companhia, a Los Grobo Ceagro, na qual o executivo acumula o cargo de vice-presidente, fechou um acordo na semana passada para venda de 20 por cento do seu capital social para a japonesa Mitsubishi Corporation, por cerca de 45 milhões de dólares.


Boa parte dos recursos recebidos da Mitsubishi, disse Neto, deverão ser aplicados em aquisições de revendas de fornecedores de insumos agrícolas no interior do Brasil, num segmento ainda bastante pulverizado no país, no qual a companhia acredita que será consolidadora.

As negociações de insumos agrícolas, que estão dentro do pacote de serviços que a Ceagro oferece aos produtores brasileiros, aliás, já respondem por boa parte da receita da companhia no Brasil, onde a empresa não atua na negociação e produção de grãos tão fortemente quanto na Argentina.

Dos 280 mil hectares plantados pela Los Grobo no Mercosul, o Brasil responde por 60 mil hectares, todos eles arrendados. A operação no Brasil, com originação de 1 milhão de toneladas de grãos ao ano, equivale a cerca de um terço do total do grupo.

"Se eu vendo um pacote de insumos financiados ao produtor, e esse produtor me paga com grãos na colheita, é uma forma de originar mais grãos, muito embora o objetivo final não seja o grão em si. Queremos ser o que chamamos de 'one stop shop' do produtor, ou seja, aquele lugar onde ele vai encontrar tudo o que precisa para produzir de maneira eficiente, desde consultoria até os insumos, até hedge."

ARGENTINA

Apesar de a Argentina responder pela maior parte da produção e originação, o sistema tributário do país limita o faturamento da unidade, disse Neto, o que também impacta para que o Brasil passe a ser a principal plataforma da companhia.

"Lá, até pela estrutura de custos e pela estrutura tributária, o faturamento, quando desconta os 35 por cento (de imposto), a mesma tonelada de soja é muito menor que no Brasil", explicou Neto.

A estrutura de negócios da unidade brasileira também permite que a empresa obtenha melhores margens de lucro no Brasil.

"Comprar e vender (grãos), a margem é muito apertada", disse ele, referindo-se ao modelo que predomina na Argentina. Já com uma estrutura de negócios integrada no campo, como é o caso do Brasil, a empresa ganha na margens dos insumos negociados - por comprar grandes volumes para atender seus clientes e a própria produção -, ganha nos financiamento e também no trading.

IPO

Os planos do IPO da unidade brasileira da Los Grobo estão suspensos, ainda mais após a chegada da Mitsubishi, mas não se encontram fora da "agenda" da companhia no futuro, disse ele.

"Tentamos fazer o IPO no primeiro semestre de 2011 vislumbrando acelerar o crescimento, e não por necessidade de fazê-lo por falta de caixa, mas o mercado fechou e cancelamos... (mas) temos isso na agenda como forma de perpetuação da companhia", declarou, sem especificar uma data para a operação.

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