Cachaça pode ser atividade rentável
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Imagem: Pixabay
BRANQUINHA

Cachaça pode ser atividade rentável

Patrimônio nacional, a cachaça tem conquistado seu espaço no país
Por: -Eliza Maliszewski

No dia 13 de setembro é comemorado o Dia Nacional da Cachaça. A criação da data foi uma iniciativa do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), instituída em junho de 2009 e lembra o dia em que a cachaça passou a ser oficialmente liberada para a fabricação e venda no Brasil, em 13 de setembro de 1661. E esse dia foi polêmico. Só foi possível depois da chamada “Revolta da Cachaça", ocorrida no Rio de Janeiro.

Desde o ciclo da cana-de-açúcar a popular branquinha é um dos símbolos brasileiros. Obtida através da destilação, a bebida tem produção em mais de 800 municípios do Brasil e está presente nas 26 unidades da federação. Apenas o estado de Roraima não possui um estabelecimento registrado no Mapa. São 951 produtores de cachaça e 611 de aguardente. Isso representa um quarto do total de produtores de todas as bebidas registradas e produzidas no país. O setor ainda emprega 600 mil pessoas e movimenta em receita, com as exportações,  aproximadamente US$ 14 milhões anuais. Os dados são do Anuário Brasileiro da Cachaça 2019.

Conforme o levantamento o país conta hoje com 4.003 marcas de produtos classificados como cachaça e 701 de aguardente de cana.  A região Sudeste aparece com a maior produção de cachaça, seguida da região Nordeste e depois a Sul. Entre os estados, Minas Gerais se destaca como o grande produtor nacional . O estado concentra 421 produtores registrados no Ministério, vezes mais do que o segundo lugar, que é São Paulo, com 126. Em terceiro está o Espírito Santo, com 74 produtores registrados.

A produção também está ganhando o Centro-Oeste e Goiás é uma peça importante no fortalecimento econômico dessa bebida, figurando entre os dez estados com mais estabelecimentos produtores de cachaça registrados. Há com 114 marcas e 28 estabelecimentos produtores. Segundo o engenheiro agrônomo da Emater/GO, Robson Luís Morais, a produção local é pequenas mas tem potencial para ganhar mercados hoje dominados pelo Sudeste. “O grande desafio é conquistar o nosso próprio mercado e o do DF, local importante por apresentar um capital e poder de compra maior. Mas já estamos apresentando uma produção bastante robusta”, avalia.

A demanda é garantida. A cachaça é a segunda bebida alcoólica mais vendida no país, atrás apenas da cerveja. Em 2018, os brasileiros consumiram 520,9 milhões de litros da “marvada”, o que gerou um faturamento de cerca de R$ 14 bilhões. A procura internacional também é grande, mais de 60 países importam o produto. Com mercado amplo, a produção de cachaça é uma opção viável inclusive para a agricultura familiar, que encontra no meio rural um time fiel e tradicional de consumidores. Além disso as condições climáticas do Cerrado são favoráveis para o cultivo de cana-de-açúcar, o que propicia ainda mais o investimento.

“Temos alta produtividade de cana no Estado, com solo adequado e fértil, e tecnologias de plantio dominadas pelo segmento de agricultura. As técnicas de fermentação, destilação, engarrafamento e a parte de legalização já são procedimentos oferecidos pela Emater”, salienta Robson. 

É possível ingressar no ramo com uma área pequena para a lavoura. Dois a três hectares de terra são capazes de produzir de 20 a 30 mil litros de cachaça, segundo o especialista. Os produtores podem aproveitar ainda uma série de outros produtos derivados da cana-de-açúcar, como melaço e açúcares, e o bagaço pode servir como alimento para o gado.
 


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