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Café: análise de solo define a adubação correta antes do plantio

Como calcular a adubação de cova sem prejudicar as mudas


Foto: Pixabay

A adubação de cova no café deve ser planejada a partir da análise de solo, da correção da acidez e das metas de produtividade. No plantio, o manejo correto evita salinização, queima das raízes e problemas no pegamento das mudas, além de favorecer o desenvolvimento inicial da lavoura.

O plantio do café em muitas regiões produtoras ocorre principalmente entre outubro e março, durante o período chuvoso. A maior umidade favorece o enraizamento, mas também aumenta os riscos de lixiviação, salinização localizada e perdas de nutrientes por erosão.

Por isso, a adubação de cova não deve ser feita com base em receitas prontas. O primeiro passo é realizar uma análise química representativa do solo, preferencialmente nas profundidades de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm. A partir dos resultados, são definidas a necessidade de calagem, gessagem, fosfatagem e complementação de potássio, cálcio, magnésio, enxofre e micronutrientes.

A adubação de cova tem como objetivo criar um ambiente favorável ao desenvolvimento inicial das raízes. Entre os benefícios esperados estão o rápido pegamento das mudas, a formação de raízes finas e profundas e o fornecimento adequado de nutrientes nos primeiros meses.

A correção do solo, porém, não deve depender apenas da cova. A maior parte da correção deve ser realizada em área total, enquanto a adubação localizada funciona como complemento. A calagem e, quando indicada, a gessagem contribuem para corrigir condições de acidez e alumínio e melhorar o ambiente radicular. Em solos com fósforo muito baixo, também pode ser necessária uma fosfatagem de construção em área total.

Entre as fontes utilizadas no plantio estão superfosfato simples, superfosfato triplo, fosfatos naturais reativos em situações específicas e misturas NPK com maior concentração de fósforo. O potássio pode ser fornecido por cloreto de potássio ou misturas NPK. Dependendo da situação, também podem ser consideradas fontes com menor teor de cloro. Cálcio e enxofre são normalmente fornecidos por calcário e gesso aplicados em área total. O superfosfato simples também pode contribuir com esses nutrientes.

Para micronutrientes, podem ser utilizados fertilizantes granulados contendo Zinco, Boro, Cobre e Manganês ou formulações específicas destinadas à aplicação no solo ou posteriormente via foliar. O Nitrogênio exige atenção especial. Fertilizantes nitrogenados de alta solubilidade, como a Ureia, tendem a ser pouco indicados em grandes quantidades dentro da cova, devido aos riscos de volatilização, lixiviação e salinização próxima às raízes.

A quantidade de fertilizante por cova deve partir da recomendação de nutrientes por hectare. Para converter a dose, primeiro é necessário determinar a população de plantas da lavoura.

O cálculo genérico é:

Plantas por hectare = 10.000 m² ÷ (espaçamento entre linhas × espaçamento entre plantas)

Como exemplos ilustrativos, podem ser considerados espaçamentos de 3,5 metros entre linhas por 0,7 metro entre plantas ou 3 metros entre linhas por 1 metro entre plantas. Depois de determinar o número de plantas, a dose do nutriente por hectare é dividida pela população. Assim, chega-se à quantidade de nutriente por planta.

Em seguida, é preciso considerar a concentração do nutriente presente no fertilizante comercial. No caso de uma fonte com cerca de 45% de P₂O₅, por exemplo, a quantidade do produto deve ser calculada a partir desse teor. Na prática, o engenheiro agrônomo pode transformar o resultado em gramas de fertilizante por cova ou por metro de sulco. A dose deve ser ajustada às condições da área e seguir a recomendação técnica e o receituário agronômico.

Antes da abertura das covas, a área deve receber a correção de solo indicada pela análise. Quando possível, o calcário deve ser aplicado com antecedência de 60 a 90 dias do plantio e incorporado na camada de 0 a 20 cm.

As covas ou sulcos devem apresentar dimensões suficientes para acomodar o sistema radicular e permitir a mistura da terra com os fertilizantes. A terra da camada superficial, normalmente mais fértil, deve ser separada da terra retirada das camadas mais profundas. Essa porção superficial será utilizada na mistura com os adubos. Os fertilizantes devem ser misturados de forma homogênea à terra superficial. Se forem utilizados micronutrientes em pó ou granulados, a distribuição uniforme também é importante.

Depois da mistura, parte da terra com fertilizante pode ser colocada no fundo e nas laterais da cova para formar a cama de plantio. A muda, entretanto, nunca deve ser posicionada diretamente sobre o fertilizante. É necessário manter uma camada de solo sem adubo entre os grânulos e as raízes para reduzir o risco de queima e salinização imediata. A muda deve ser retirada do recipiente com cuidado para preservar as raízes finas. O colo deve ficar ligeiramente acima do nível definitivo do solo, evitando o enterrio excessivo. Depois, a cova é preenchida com a terra restante e o solo deve ser levemente firmado ao redor da muda.

Entre outubro e março, o excesso de água pode intensificar a lixiviação de nutrientes. Adubos muito solúveis, especialmente nitrogênio e potássio aplicados em excesso, podem ser transportados para camadas mais profundas ou para fora da zona radicular ativa. Outro risco é a salinização localizada. Doses elevadas de fertilizantes na cova, combinadas com umidade constante, podem aumentar a concentração de sais próxima às raízes e prejudicar o pegamento das mudas. O trabalho em solos muito úmidos também merece atenção. A compactação das paredes da cova pode dificultar a penetração das raízes e a oxigenação.

Por isso, a recomendação é evitar concentrações elevadas de fertilizantes solúveis e priorizar o preparo adequado do solo, a correção em área total e uma adubação de cova moderada e bem distribuída.

Uma adubação de cova mal dimensionada pode provocar problemas ainda nos primeiros meses da lavoura. Entre as consequências estão falhas de pegamento, morte de mudas, necessidade de replantio e desuniformidade do cafezal. O excesso de sais também pode favorecer a formação de raízes superficiais e fracas, deixando as plantas mais sensíveis à seca.

Outro problema é o crescimento desuniforme. Plantas que recebem excesso de nutrientes na cova podem apresentar comportamento diferente daquelas que ficam deficientes logo além da área adubada. Em solos ácidos e sem correção adequada, o fósforo aplicado também pode ficar retido em formas pouco disponíveis, reduzindo a eficiência do investimento.

O manejo nutricional não termina no plantio. A adubação de cova precisa estar integrada ao planejamento das aplicações de cobertura realizadas nos meses seguintes.

Essas adubações complementam o fornecimento de nitrogênio, potássio, micronutrientes e parte do fósforo de acordo com o desenvolvimento das plantas e os resultados das análises de solo e foliar. A escolha de mudas de qualidade, o preparo e a conservação do solo, o controle de plantas daninhas e a irrigação complementar, quando disponível, também interferem no aproveitamento dos nutrientes.

Confira os principais cuidados antes e depois do plantio

Antes do plantio, o produtor deve realizar a análise de solo, definir a necessidade de calagem e gessagem e planejar as doses de nutrientes de acordo com referências técnicas. Na preparação das covas, é importante separar a terra superficial da mais profunda e misturar os fertilizantes de maneira homogênea. No momento do plantio, a muda deve ficar protegida do contato direto com os fertilizantes. Uma camada de solo deve separar as raízes dos grânulos.

Após o plantio, a irrigação de pegamento pode ser realizada quando disponível, enquanto a cobertura do solo com palhada ou restos de vegetação manejada ajuda a conservar a umidade e reduzir oscilações de temperatura.

O acompanhamento das mudas permite identificar problemas de crescimento, clorose, queima de bordas ou murcha permanente e ajustar o manejo quando necessário.

A adubação de cova no café, portanto, deve ser tratada como parte de um sistema de manejo da fertilidade. A análise de solo, a correção em área total, a escolha das fontes, o cálculo da dose e a forma de aplicação precisam estar integrados para favorecer o desenvolvimento inicial sem criar excesso de sais ou deficiência nutricional.

Qualquer definição de doses e fontes deve considerar as características específicas do solo, da cultivar e do sistema de produção, com acompanhamento de um engenheiro ou engenheira agrônoma em condições reais de campo. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

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