CI

Café registra queda nos preços nos últimos 30 dias

Maior oferta brasileira limita altas e mantém mercado sujeito à volatilidade


Foto: Divulgação

Os preços do café brasileiro apresentaram queda no período de 30 dias encerrado em 9 de outubro, pressionados pela maior disponibilidade do produto, pela valorização do real e pelo ritmo elevado das exportações. O indicador Cepea do café arábica encerrou o período em R$ 1.531 por saca, recuo de 6%, enquanto o conilon tipo 7 no Espírito Santo caiu 3%, para R$ 910 por saca.

Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, a redução das cotações domésticas ocorreu apesar de uma recuperação temporária do mercado internacional no início de outubro. Em Nova York, o contrato de dezembro de 2026 do café arábica chegou a 304,45 centavos de dólar por libra-peso em 6 de outubro, maior valor dos 40 dias anteriores.

A valorização internacional, entretanto, teve curta duração. Nos dois dias seguintes, o contrato acumulou queda de aproximadamente 6%, encerrando 9 de outubro em 286,95 centavos de dólar por libra-peso. Na comparação de 30 dias, o recuo foi de 0,4%. Em Londres, o robusta para novembro de 2026 caiu 1,4%, para US$ 3.473 por tonelada.

O comportamento dos preços refletiu a combinação entre fatores técnicos de mercado e fundamentos de oferta. O avanço da comercialização da safra brasileira 2026/27 ampliou a disponibilidade física do produto, enquanto a recuperação dos estoques certificados em Nova York também contribuiu para reduzir a sustentação das cotações.

As exportações brasileiras reforçaram esse cenário. Em setembro, os embarques de café verde somaram 3,9 milhões de sacas, aumento de 20% em relação ao mesmo mês de 2025. O crescimento das vendas externas acompanhou a maior disponibilidade de café brasileiro após o avanço da colheita.

O câmbio também influenciou a formação dos preços no mercado doméstico. No início de outubro, o dólar chegou a superar R$ 5,20, mas posteriormente recuou para valores inferiores a R$ 5,00. Esse movimento contribuiu para pressionar as cotações recebidas pelos produtores brasileiros.

Para a safra mundial 2026/27, o balanço apresentado pelo Itaú BBA aponta produção de aproximadamente 190 milhões de sacas, crescimento de 6,1% em relação à temporada anterior. O Brasil aparece com produção estimada em 71,9 milhões de sacas, enquanto o consumo mundial é projetado em 180 milhões de sacas.

Apesar da maior oferta, a qualidade permanece como fator importante para a diferenciação dos preços. As chuvas durante a colheita prejudicaram parte da produção, com aumento da ocorrência de café caído no chão. A menor disponibilidade de lotes de qualidade superior poderá sustentar diferenças de preços entre os padrões comerciais.

As condições climáticas para a safra 2027/28 apresentavam sinais favoráveis no período analisado. O retorno das chuvas beneficiou as floradas e o desenvolvimento inicial das lavouras. Entretanto, o El Niño mantém a atenção sobre possíveis períodos mais secos e temperaturas acima da média no norte do cinturão cafeeiro.

Para os próximos meses, a perspectiva do Itaú BBA é de que a maior disponibilidade brasileira limite recuperações mais consistentes das cotações. O mercado, porém, deverá continuar sensível ao ritmo das vendas dos produtores, à evolução das exportações e ao comportamento do clima nas regiões produtoras.
 

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7