Calor extremo e seca agravam cenário no RS: agro enfrenta quinto ano seguido de dificuldades
Meteorologista alerta para altas temperaturas e ausência de chuva nos próximos dias
Foto: FecoAgro RS/Divulgação
O início de fevereiro traz um novo período de atenção para o setor agropecuário da Região Sul. De acordo com o meteorologista Luiz Renato Lazinski, o calor acima da média deve se intensificar nos próximos dias em grande parte do Rio Grande do Sul, centro e oeste de Santa Catarina e do Paraná, além de áreas na Argentina. A ausência de chuva em todo esse período reforça o quadro de preocupação, sobretudo para os produtores gaúchos.
“As temperaturas devem permanecer elevadas e não há indicação de chuva nos próximos dias para essas regiões. O Rio Grande do Sul tende a ser o mais impactado por essa condição. Estamos diante de mais um ano difícil para o setor agropecuário no estado, o quinto consecutivo”, afirmou Lazinski.
Altas temperaturas reduzem umidade e ameaçam desenvolvimento das lavouras
A ausência de sistemas meteorológicos que favoreçam a formação de chuvas mantém o tempo firme e as temperaturas elevadas. Em muitas áreas do interior do Rio Grande do Sul, os termômetros devem ultrapassar os 36 graus, com baixa umidade no ar, o que intensifica a perda de água no solo e nas plantas.
O momento é especialmente delicado para culturas como soja, milho e feijão, que estão em estágios decisivos de desenvolvimento. O estresse hídrico, combinado com o calor, pode comprometer o potencial produtivo, mesmo em áreas que vinham se desenvolvendo bem até o final de janeiro.
Produtores enfrentam o quinto ano seguido de desafios climáticos
Desde 2020, o agro gaúcho tem registrado perdas expressivas relacionadas a secas sucessivas. A recorrência desses eventos reforça a vulnerabilidade da produção frente às variações do clima e pressiona por medidas estruturantes.
“Estamos vendo uma repetição de condições adversas que exigem atenção redobrada no planejamento agrícola e políticas de apoio mais eficazes aos produtores”, pontuou o meteorologista.
Além dos danos potenciais às lavouras, o calor intenso também afeta a pecuária. Sistemas de criação, especialmente os de leite e confinamento, exigem manejo especial para reduzir o estresse térmico nos animais, com reforço de sombra, ventilação e oferta de água.
Em regiões onde o plantio de culturas de verão está mais avançado, técnicos recomendam o acompanhamento diário das lavouras e, sempre que possível, o uso de irrigação localizada para mitigar os efeitos do déficit hídrico.
As previsões indicam que o padrão atual de bloqueio atmosférico pode se estender ao longo de fevereiro.