Capim-napier potencializa pecuária no Norte Pioneiro
Experiências bem-sucedidas na região reforçam benefícios do produto rústico e barato de origem vegetal para gado de corte e leiteiro
Com um certo olhar "visionário", ele conta que, ao observar o próprio ambiente rural regional, decidiu apostar na viabilidade do capim-napier - bastante comum no local. "Parei para pensar que talvez fosse um desperdício não aproveitar algo que crescia tão facilmente por aqui, ainda mais quando chove. É claro que o gado não consegue se alimentar quando o capim está alto demais, mas com um pouco de técnica no manejo é possível garantir uma alimentação barata e nutritiva para o animal durante o ano todo", explica o técnico. "Vale lembrar que por ser uma planta perene, não há custo com sementes, adubo e defensivos", acrescenta.
VANTAGENS
Um bom exemplo do potencial do uso da vegetação é o que está acontecendo na propriedade do agropecuarista Paulo de Oliveira. Com 18 alqueires, sete deles estão sendo destinados ao plantio do capim-napier para alimentar 315 cabeças de gado de corte criadas no local (nelore e aberdeen angus), em sistema de semiconfinamento (com pastos rotacionais).
Chegando a quase três metros de altura, o capim deve ser cortado entre 70 a 90 dias para aproveitar o nível proteico ideal (18%, conforme análise bromatológica). Após o corte, o capim picado é ensilado ao ar livre e mantido sob uma lona plástica hermeticamente preparada para reter o mínimo de ar possível. O objetivo desse manejo é conseguir manter a umidade natural do produto e evitar fermentação.
De duas a três vezes ao dia, o gado é alimentado, sendo que em uma delas recebe também ração balanceada que ajusta o nível energético. "Não dá para negar que o milho é melhor, mas o que estou vendo aqui é que realmente o capim-napier é muito viável pelo seu custo-benefício. Apenas corrijo a pequena variação de proteína com a ração, sendo que eu também cultivo aqui o milho e a soja que utilizo para ter uma garantia de qualidade do produto", comenta o agropecuarista Oliveira.
Os resultados favoráveis o motivaram até a investir em uma pequena produção de gado leiteiro, que deverá ser suficiente para cobrir os custos fixos com o gado de corte. Robustos e calmos, os animais da propriedade parecem realmente estar bem alimentados e saudáveis. "O uso do capim-napier não tem nada de extraordinário, mas quando se observa a qualidade do gado que está no pasto é que se pode constatar na prática o valor desse produto normalmente desprezado", conclui o técnico agrícola.
Para se ter uma noção do custo-benefício do capim-napier, em um hectare é possível produzir até 45 toneladas de milho; no mesmo espaço, 269 toneladas de capim-napier, sendo que algumas experiências já apontam para uma produção de até 500 toneladas.