Captação de leite no Sul avançou 7% em junho; preço caiu em julho
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Agronegócio

Captação de leite no Sul avançou 7% em junho; preço caiu em julho

A safra de inverno no Sul ganhou força em junho com o clima favorável à produção de forrageiras
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A safra de inverno no Sul do País ganhou força em junho com o clima favorável à produção de forrageiras. No Rio Grande do Sul, o Índice de Captação de Leite (ICAP-Leite) elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, registrou significativo aumento de 11% frente ao mês de maio. Em toda a região Sul, o acréscimo foi de 7,4% no período. A expectativa, segundo agentes do setor consultados pelo Cepea, é de que a captação continue aumentando até agosto, quando deve ocorrer o pico de produção.


Na média geral, considerando-se os sete estados incluídos nesta pesquisa (RS, PR, SC, SP, MG, GO e BA), o índice subiu 4%. Houve aumento da captação em todos os estados. Em relação a junho/11, o ICAP-Leite/Cepea esteve em patamar 6% superior; no primeiro semestre do ano, o índice apresentou aumento de 2,4% se comparado a igual período do ano passado.

Além do aumento da oferta – especialmente nos últimos meses –, também a maior pressão das indústrias/cooperativas em função da queda da margem de lucro que estão tendo pesou para nova baixa dos preços do leite recebidos pelo produtor em julho (referente à produção entregue no mês anterior). A média ponderada dos sete estados caiu 1,2%, indo para R$ 0,7821/litro - valor líquido. O preço bruto (com frete e impostos) também recuou, 0,9%, com média de R$ 0,8478/litro. Comparando-se com o mesmo período do ano passado, houve o preço médio esteve 7% menor em termos reais, ou seja, já descontando a inflação (IPCA, jun/12). Ao mesmo tempo, os custos continuam se elevando, impulsionados pela alta do milho e do farelo de soja.

Segundo apuração do Cepea junto a compradores de leite, para o pagamento de agosto (referente à produção de leite entregue em julho), 53% dos entrevistados (responsáveis por 62% do volume de leite amostrado) têm expectativa de estabilidade de preços ao produtor. Para 37% desses compradores (que representaram também 37% do volume de leite), pode haver nova queda de preços, e apenas 10% dos agentes (responsáveis por 1% do volume da amostra) esperam alta.


No mercado de derivados, graças a uma retomada da demanda, os preços tiveram ligeira alta, após alguns meses de estabilidade. No caso do leite UHT comercializado no atacado do estado de São Paulo, o preço médio de julho foi de R$ 1,79/litro (incluídos frete e impostos), 1,1% superior ao valor observado em junho. Em relação a julho/11, porém, houve queda de 5,3% no preço médio em termos nominais. O mercado de queijo muçarela também reagiu levemente, com alta de 1,1% em julho, com o quilo indo para R$ 10,48. Já no comparativo com julho/11, o preço médio também apresentou queda, de 1,9% em termos nominais. Essas médias mensais provêm dos valores diários apurados pelo Cepea com apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

De acordo com agentes do setor, a expectativa é de que os preços de derivados se sustentem nesses patamares em agosto. O elevado volume importado – especialmente de leite em pó e queijos –, segundo eles, continua atrapalhando as vendas do produto nacional.


Nota Metodológica: A partir deste mês, o Cepea passa a divulgar também os valores mínimos e máximos líquidos recebidos pelo produtor de leite. O preço líquido é isento de impostos e frete, sendo que o pagamento do transporte do leite até a plataforma de processamento difere entre os laticínios/cooperativas. Assim, os valores líquidos podem ser uma referência mais precisa para o acompanhamento do mercado, bem como para a comparação entre as regiões produtoras. Os preços brutos continuarão sendo divulgados, mantendo o encadeamento da série Cepea iniciada em 1991. O Cepea também divulga os preços médios líquidos desde agosto de 2004.


AO PRODUTOR: Entre os sete estados considerados para a “média nacional”, em julho, a maior queda no preço médio recebido pelo produtor ocorreu novamente no estado de Goiás. Houve redução de 2,3% no valor líquido, com média de R$ 0,7940/litro. Em Minas Gerais, o recuo foi de 0,8%, a R$ 0,7939/litro. No estado de São Paulo, houve queda de 1%, o que levou a média para R$ 0,8078/litro. No Espírito Santo – ainda não integrado à “média nacional” –, o preço médio foi de R$ 0,7814/litro, recuo de 3,4% frente a junho.

No Rio Grande do Sul, houve recuo de 2,1% entre junho e julho, com média de R$ 0,7423/litro. Em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 0,7489/litro, baixa de 1,4%. Já no Paraná, houve leve aumento de 0,7%, com o litro indo para R$ 0,7635.

Na Bahia, o valor médio foi de R$ 0,8627/litro, leve aumento de 0,5% frente a junho. No Ceará, a alta foi mais significativa, de 5%, com a média indo para R$ 0,8171/litro. No Rio de Janeiro, o preço médio foi de R$ 0,8279/litro, recuo de 1% em relação a junho. Em Mato Grosso do Sul, houve queda de 4%, com média de R$ 0,6506/litro.

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