Casqueamento de caprinos e ovinos ajuda a manter a produtividade dos rebanhos

Imagem: Eliza Maliszewski

Pecuária

Casqueamento de caprinos e ovinos ajuda a manter a produtividade dos rebanhos

A prática consiste em aparar os cascos dos caprinos e ovinos a fim de evitar doenças ou corrigir a forma de o animal pisar no chão
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Entre os manejos que têm impacto na produtividade dos rebanhos de pequenos ruminantes, criados a pasto ou confinados, está o casqueamento, prática que consiste em aparar os cascos dos caprinos e ovinos a fim de evitar doenças ou corrigir a forma de o animal pisar no chão. “Esses animais são essencialmente andarilhos porque selecionam o que comem e andam muito para isso. Com os cascos sadios eles não terão dificuldades para se alimentar. Nos rebanhos confinados, com alimentos à disposição, o problema são doenças no casco ou dores que os impedem de comer direito”, explica o médico-veterinário da Embrapa Alexandre Monteiro.  Ele afirma que incluir esse manejo na rotina da propriedade evita gastos extras e não planejados com medicamentos para tratamento de enfermidades ou dores nos animais.

Para fazer o manejo de forma rotineira, o criador vai ter custo com um kit de casqueamento mais simples, composto por uma faca de quatro ou cinco polegadas ou um canivete, grosa e lima, cujo valor fica em torno de R$ 80,00. Um conjunto mais elaborado, com uma faca ou canivete, tesoura para cascos, grosa e lima, chega a R$ 250,00. “Todo esse material é fácil de encontrar e deve ser para uso exclusivo neste manejo, a fim de prolongar o fio das facas e canivete e o corte da tesoura, além de evitar a contaminação. Lembrando que a faca deve ser sem ponta, portanto o manejador deve limá-la até que a ponta desapareça”, afirma Monteiro. A prática pode ser feita por qualquer pessoa que tenha o treinamento adequado.

Para decidir se este é um manejo importante para seu rebanho, o criador precisa avaliar o tipo de superfície em que os animais vivem. As pesquisas indicam que em sistemas extensivos ou semiextensivos ocorre um desgaste maior dos cascos, já nos sistemas intensivos o desgaste é menor. Assim, cabe ao criador ou a um técnico experiente vistoriar os animais para definir com que periodicidade será necessário fazer o casqueamento.

Quando e como fazer o casqueamento

Não existe uma idade ideal para iniciar a prática nos animais. Após desmamados, os pequenos ruminantes devem ser avaliados para verificar se o crescimento dos cascos está lhes causando algum incômodo. O médico-veterinário da Embrapa afirma que quando não há um desgaste dos cascos, o crescimento pode ocorrer de forma desordenada, ocasionando dificuldade na pisada e forçando tendões e músculos dos animais, que estão em processo de formação dos ossos. Isso prejudica sua postura e movimentação, causando dor e, consequentemente, diminuindo o ganho de peso. Segundo Monteiro, há casos em que é necessário o descarte do animal.

Em sistemas de criação extensivos ou semiextensivos, a orientação é fazer o casqueamento pelo menos duas vezes por ano, antes das chuvas e após o período chuvoso. “Isso não quer dizer que o criador não possa realizar o manejo em animais específicos quando perceber a necessidade durante a inspeção”, explica Monteiro.  Em criatórios onde prevalece o sistema intensivo, principalmente aqueles que têm apriscos ou currais suspensos, o ideal é manter uma escala de casqueamento regular com intervalo de 60 dias. Como o manejo é trabalhoso em rebanhos grandes, o criador deve se guiar pela observação do desgaste ou crescimento dos cascos dos animais. Na ocorrência de pododermatite, doença infecciosa que atinge esses animais, devem ser seguidas as recomendações de um médico-veterinário porque, nesses casos, apenas o casqueamento não resolverá o problema.


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